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Tem uma casa fechada numa Aldeia do Xisto? Há um novo fundo que a pode rentabilizar

Rede de aldeias no centro do país cria fundo inivador que permite aos proprietários dos imóveis a sua venda ou entrega para concessão, assumindo-se como oportunidade até para os que ficaram degradados pelos incêndios

Fernando Romão

Está a ser criado um fundo imobiliário na rede das Aldeias do Xisto, localizadas no interior da região Centro de Portugal, que permite aos proprietários de casas ou outros imóveis uma série de opções para os rentabilizar, que podem ir desde a sua venda até à entrega para concessão com fins turísticos.

Para quem tem casas devolutas no território das Aldeias do Xisto, o novo fundo "é uma oportunidade excelente para as rentabilizar, inclusivamente até imóveis degradados pelos incêndios que se perfilem de interesse para serem avaliados", salienta Rui Simão, diretor executivo da AdxTur, agência responsável pelo desenvolvimento da rede Aldeias do Xisto.

O novo fundo deverá estar formalmente constituído até ao segundo semestre, estando na fase de avaliação de imóveis que se perfilem de interesse para a marca Aldeias do Xisto numa multiplicidade de frentes, desde "preencher lacunas na oferta turística existente", em particular turismo em espaço rural ou restauração, como arrendamento de longa duração, time-sharing ou residências científicas e artísticas.

"Estamos na fase de constituír uma bolsa de imóveis que são apresentados pelos proprietários, e já temos algumas dezenas de casos para avaliação", adianta Rui Simão, frisando que o processo de avaliação dos imóveis será assegurado por "peritos credenciados".

"Há investidores externos interessados nesta valorização das aldeias"

A prioridade nesta avaliação é selecionar imóveis que se localizem nas 27 Aldeias do Xisto, sendo também dada atenção a edifícios "de valor arquitetónico, histórico e cultural" em aglomerados à volta, ou até a imóveis com interesse em outros pontos do território que abrange duas dezenas de municípios na região Centro, como "casas de guarda, moinhos ou lagares", exemplifica Rui Simão.

A partir da avaliação, há uma série de alternativas que se abrem aos proprietários, desde simplesmente vender o imóvel ao fundo a troco de dinheiro, passando por converter o seu valor em unidades de participação, até à modalidade de não perder a propriedade, cedendo-a ao fundo, em condições a definir, para exploração.

"Os imóveis que nos interessam enquanto marca ou são vendidos ao fundo ou transformados em unidades de participação, há uma série de opções", explica o responsável, enfatizando ainda "a possibilidade de entrada em dinheiro para pequenos aforradores ou grandes investidores, numa oportunidade de negócio que visa a abertura do território ao exterior e dar-lhe um impulso na atração e fixação de pessoas".

"O centro de gravidade desta operação é reconhecer que há capital disponível e património que está por valorizar nestas aldeias, estando a ser montada para este fim", resume Rui Simão.

Segundo o coordenador da rede das Aldeias do Xisto, "temos tido manifestações de interesse de diferentes entidades públicas, e até de investidores internacionais, que estão expectantes e demonstraram vontade de entrar neste fundo".

Em termos de calendário, a AdxTur prevê "ainda no primeiro trimestre ter uma 'bateria' de imóveis suficiente para constituír uma bolsa, ter o fundo definido até ao primeiro semestre, para no segundo semestre poder começar o trabalho de angariação de investidores", segundo adianta o diretor-executivo.

A oportunidade nesta fase abre-se "a quem tem património por valorizar" e o pode apresentar a este fundo para avaliação. Como frisa Rui Simão, "o objetivo é mobilizar capitais privados e investidores para intervir em termos de reabilitação e valorização do edificado destas aldeias, invertendo o seu declíneo patrimonial e atraíndo novas motivações que este território necessita e merece".