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Aldeias da Serra da Estrela querem atraír nómadas digitais com espaços de 'coworking'

Videmonte, Alvoco das Várzeas e Lapa dos Dinheiros são as primeiras aldeias de montanha a ter "espaços inusitados de trabalho ou incubação de ideias" com vista a atraír gente de várias partes do mundo

Em Videmonte vai ser intervencionada uma casa da junta de freguesia com vista a ser um 'coworking'

Pedro Ribeiro

A rede das Aldeias de Montanha, inseridas no Parque Natural da Serra da Estrela, vão passar a ter espaços de "coworking rural". Esta iniciativa é levada a cabo pela Associação de Desenvolvimento Integrado da Rede das Aldeias de Montanha (ADIRAM), em parceria com as juntas de freguesias da região.

Numa primeira fase, serão criados espaços de 'coworking' em três aldeias: Alvoco das Várzeas (concelho de Oliveira do Hospital); Lapa dos Dinheiros (concelho de Seia) e Videmonte (concelho da Guarda).

Criar "espaços inusitados de trabalho ou incubação de ideias em ambiente de aldeia" e "em comunhão com as comunidades locais" constitui, segundo a ADIRAM, o objetivo desta iniciativa.

Os próprios espaços serão concebidos respeitando os objetivos da economia circular, segundo frisa a associação, como por exemplo reutilizando mobiliário tradicional também de forma a valorizar o território, além de se pretender ainda o envolvimento das comunidades locais, promovendo "o seu saber-fazer".

Escola primária desocupada é um dos primeiros espaços de 'coworking rural'

Para a criação dos espaços de 'coworking' rural nesta fase inicial, serão intervencionadas uma escola primária desocupada na Lapa dos Dinheiros, uma casa de habitação sob gestão da junta de freguesia em Videmonte, e um salão polivalente instalado num edifício que é propriedade da junta de freguesia em Alvoco da Várzeas.

Espaços atualmente sem uso e funcionalidade, mas perfeitamente integrados no aglomerado urbano das aldeias. A adaptação destas infraestruturas a espaços de cowork, com incorporação de eco-design fortemente marcado pela identidade das Aldeias de Montanha, permite não só recuperar e dar função aos espaços para múltiplos fins no contexto comunitário das vivências das Aldeias, mas também possibilita a troca de experiências

Dar vida nova a espaços devolutos em terras que sofrem o estigma da desertificação, e promover a "troca de conhecimentos entre as populações locais e os freelancers ou nómadas digitais que ali queiram experiências de trabalho temporárias", são aspetos destacados pela associação.

“O usufruto destes espaços de cowork em ambiente de montanha, fortemente marcado por uma dimensão rural, será de utilização gratuita, numa primeira fase, passando posteriormente a um pagamento simbólico", refere Francisco Rolo, presidente da direção da ADIRAM.

Fibra ótica a chegar às aldeias

Os "coworks rurais" serão equipados com conectividade e tecnologia de forma a permitir "trabalhar remotamente, na aldeia, para qualquer parte do mundo". E uma destas três aldeias, Lapa dos Dinheiros, já tem fibra ótica, prevendo-se a curto prazo a sua instalação também em Alvoco da Várzeas e Videmonte.

A associação das Aldeias de Montanha está de momento a procurar "encontrar um parceiro tecnológico com vista à instalação da rede wi-fi de alta velocidade e outros equipamentos técnicos nos edifícios". A aproximação aos potenciais interessados decorre no âmbito da ação ADIRAM 2020, envolvendo "inclusão em plataformas nacionais e internacionais que disponibilizam experiências de trabalho assentes no conceito de coworking”.

Nas três aldeias escolhidas como casos-piloto para lançar os espaços rurais de 'coworking', a ADIRAM põe ainda a tónica na sua "qualidade ambiental, com excelentes opções de fruição do espaço natural", destacando-se as praias fluviais ou os percursos pedestres.