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Turismo em Lisboa vale 6 Autoeuropas. Medina diz que é "urgente dar o salto" para a Caparica e outras zonas da margem sul

Na estratégia de turismo até 2024, Lisboa põe a tónica em "criar harmonia com os residentes" e ajudar a desenvolver as regiões à volta, uma vez que o sector já cresceu para €15 mil milhões

Tiago Miranda

Nos próximos anos o Turismo de Lisboa vai ajudar a desenvolver a Costa da Caparica, o Seixal ou a Arrábida. É uma das prioridades do plano estratégico para o turismo de Lisboa de 2020 a 2024, elaborado pela Roland Berger, que foi esta segunda-feira apresentado no Palácio da Ajuda, e que prevê a criação de 12 polos turísticos e dão "um novo protagonismo" à oferta no Tejo.

"Precisamos urgentemente de investir no desenvolvimento de novas polaridades, dar o salto para esta complementaridade e casar as ofertas que existem à volta de Lisboa", frisou Fernando Medina, presidente da câmara de Lisboa, lembrando que o turismo na região já vale €15 mil milhões, contribui em 20,3% para o PIB nacional e gera 201 mil empregos, segundo o último estudo da Deloitte.

"Não estamos a falar de uma coisa pequena, €15 mil milhões é o equivalente a 10 vezes o que gera todo o sector do calçado no país e seis vezes as vendas da Autoeuropa", lembrou Medina.

"Por isso é tão crítico, e precisamos mesmo de dar este salto para novas polaridades. É a única forma em que podemos ambicionar esticar estes €15 mil milhões e ao mesmo tempo reduzir as tensões que o desenvolvimento do turismo gera junto dos residentes", enfatizou ainda o presidente da câmara de Lisboa.

Frisando que este objetivo envolve "investimentos conjuntos com outros municípios" e capacidade de programar projetos em estreita parceria, também no que toca a fundos comunitários, Fernando Medina salientou que "há destinos que precisamos de colocar no mapa" e que já estão contemplados no plano estratégico de Lisboa para 2024.

Preparar "os efeitos positivos derivados do novo aeroporto do Montijo"

Parte dos 12 polos turísticos que o plano estratégico do Turismo de Lisboa se propõe dinamizar, e que "ainda não estão no mapa", como frisou Fernando Medina, são Costa da Caparica, Arrábida, Arco Ribeirinho sul, reserva natural do estuário, Tejo e Mafra. Os restantes seis polos a desenvolver são Sintra, Cascais, Ericeira, a zona de Belém/Ajuda e o próprio centro de Lisboa

O plano do Turismo de Lisboa para os próximos quatro anos já tem em conta "os efeitos positivos derivados do novo aeroporto no Montijo", algo que irá beneficiar diretamente "a exploração turística fluvial para dinamizar o acesso via rio Tejo".

Lisboa assume assim o objetivo de ajudar à "revitalização das frentes ribeirinhas com potencial turístico por explorar", como Sexal, Barreiro, Montijo e Moita. A prioridade aqui é requalificar as infraestruturas ribeirinhas, como pontões, passeios ou ciclovias", além de reabilitar "património devoluto com potencial turístico".

Uma atenção especial é dada à Costa da Caparica, onde o plano se propõe intensificar "esforços de qualificação da infraestrutura de acesso e suporte às praias", criar "transporte entre praias", parques de estacionamento "adequados e estrategicamente localizados" e "renovação dos passadiços de acesso às praias", além de ajudar a desenvolver "ligações fluviais para a margem norte do Tejo".

Na Costa da Caparica, também está na mira do Turismo de Lisboa o "enriquecimento da oferta de alojamento", o que além da hotelaria inclui alojamento local "de qualidade".

O plano de Lisboa para 2024 enfatiza ainda a "dinamização de toda a frente Trafaria e Cacilhas, identificando ativos devolutos com potencial para reabilitação", referindo ainda o projeto de criação de "um passadiço pedestre na falésia de Almada virada para Lisboa e promovendo os novos roteiros turísticos".

Lisboa "no novo ciclo" vai promover-se na Ásia e Médio Oriente

Uma das novidades nesta apresentação do plano estratégico para 2024 refere-se à aposta do Turismo de Lisboa a nível de promoção em mercados da Ásia e do Médio Oriente, o que foi justificado pelo aumento nos últimos anos de turistas oriundos do Japão ou Coreia do Sul, mas também da Arabia Saudita, Irão, Catar ou Israel.

A principal aposta de Lisboa em matéria de promoção continuará a centrar-se nos mercados emissores com mais peso, como Reino Unido, Alemanha, França, Espanha, Itália, Escandinávia ou Benelux. Também mercados transatlânticos com maior crescimento, começou Estados Unidos, Canadá e Brasil, estarão em primeiro plano no que toca à promoção de Lisboa nos próximos quatro anos.

"Abre-se agora um novo ciclo para o turismo de Lisboa com desafios cada vez mais específicos", enfatizou José Luís Arnaut, presidente-adjunto do Turismo de Lisboa, na apresentação do plano estratégico para 2024, lembrando que no ano passado a cidade atraíu mais de 7,5 milhões de turistas.

"Há uma nova visão que nos une a todos: uma estratégia partilhada para a criação de uma verdadeira região turística", concluíu Fernando Medina nesta apresentação, frisando que apresentar uma estratégia de crescimento "centrada só na própria cidade, é algo que teria um horizone limitado".

O caminho do Turismo de Lisboa para os próximos anos afigura-se ser o de estender-se "à área metropolitana, aproveitando as valências de todos os territórios", também na necessidade de "compatibilizar o crescimento do turismo com a vida quotidiana dos residentes", resumiu Fernando Medina.