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A História de Portugal que se colhe nos jardins japoneses

Chegaram em barcos negros. Eram portugueses os primeiros olhos ocidentais a avistar a “Terra do Sol Nascente”, tão abertos, curiosos e fascinados como os de Luís Fróis, missionário jesuíta e primeiro cronista do Japão

Os encantatórios jardins que fascinaram Fróis resistiram à erosão do tempo e 16 permanecem visitáveis, estando 11 classificados pela UNESCO como Património Mundial.

Tudo nasceu do meu fascínio por jardins” e da “tentativa de perceber como os japoneses ligam a estética e a ecologia de forma tão harmoniosa”. Quem o diz é Cristina Castel-Branco. A odisseia da arquiteta paisagista começou em 2007, ano sabático em que fez as malas e partiu à descoberta da “Terra do Sol Nascente”. “Estive com japoneses a aprender a fazer jardins. Foi aí que tive uma surpresa absolutamente esmagadora, quando um dos professores me disse: ‘As melhores descrições que temos dos jardins japoneses são de um português.’ Fiquei tão envergonhada que nem disse ao senhor que não sabia quem era”, conta a docente do Instituto Superior de Agronomia e coautora — em parceria com Guida Carvalho — do livro “Luís Fróis: First Western Accounts of Japan’s Gardens, Cities and Landscapes”.

A curiosidade de Cristina seria o gatilho para as sucessivas expedições de teor académico efetuadas ao longo de uma década, com o objetivo de estudar os edémicos viridários nipónicos, lugares místicos descritos pela primeira vez por um português há quase meio milénio. A obra, recentemente editada em inglês, com chancela da Springer, foi trabalhada afincadamente durante os últimos sete anos para revisitar nove cidades e 23 jardins — 17 localizados em Quioto e seis encontrados em Nara —, reportados detalhadamente no século XVI pelo jesuíta Luís Fróis, afamado como “o melhor escritor de cartas”, sobretudo por aquelas que redigiu ao longo dos 34 anos vividos no Japão. “Passou a ser a pátria dele”, diz Cristina Castel-Branco, traçando o perfil de um homem que “estava ali como repórter e como aquilo que, mais tarde, se acabaria por designar de antropólogo”, alguém que “deixou escritas as suas impressões sobre as cidades, os jardins, os rituais, as tradições e a cultura do chá”.

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