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Vida Extra

Bullying. Quando o pior do mundo são as crianças

Bullying é uma palavra deste tempo para descrever algo que existe desde sempre: a violência entre menores. Uma em cada três crianças no mundo sofre atos continuados de humilhação

Getty Images

Primeiro, eram coisas “mínimas”, como ser posta de parte, não poder brincar ou ser impedida de levantar-se da sala de aula pelos colegas quando era tempo de recreio. Depois vieram as agressões físicas, com pontapés à mistura. Tiravam-lhe a comida e roubavam-lhe o dinheiro. Diziam-lhe que era “feia, pequena, estúpida, deficiente e que não devia ter nascido”. Dos 5 aos 14 anos, numa escola do Alentejo que prefere não identificar, Adriana Rodrigues foi apenas mais uma vítima de bullying, a sofrer calada os maus tratos de que era constantemente alvo. Primeiro pelos colegas de turma, depois pelos mais velhos também. “Era muito pequenina e tímida. Tinha dificuldade em fazer amigos e eles percebiam que eu era um alvo fácil”, recorda agora aos 22 anos. Fisicamente, duas paralisias faciais — a segunda sem que os médicos tivessem conseguido identificar a causa — que lhe colocaram a boca ligeiramente de lado levavam a que fosse ainda mais gozada.

Depois das aulas, a humilhação e o sofrimento físico davam tréguas. Mas a dor não. Quando chegava a casa, seguia para o quarto, onde chorava às escondidas e ia inventando desculpas para as nódoas negras. “Estou a chorar porque estou triste hoje; esta nódoa negra foi porque caí”, mentia aos pais. “Ainda ia dizendo que me tinham feito isto e aquilo na escola. Mas ao início eram coisas pequenas. Eles não valorizavam e eu assumi como normais e fazendo parte do crescimento. E com a intensificação do bullying deixei de contar. Interio­rizei que era um problema meu e que era merecido por ser como era.” Nos intervalos da escola refugiava-se nos sítios onde não havia ninguém, pois era aí que se sentia mais segura. E nem professores nem funcionários davam a devida importância. “Algumas situações aconteciam na sala de aula. Os professores repreendiam quem me estava a fazer mal. Mas não passava disso. Nunca houve uma suspensão, um castigo.”

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