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Vida Extra

Sabe o que é plogging? Vá apanhar lixo para varrer as dúvidas e as praias

Pneus de camião, assentos de automóveis, telemóveis, pedaços de barcos, redes de pesca, garrafas ou garrafões podem ser encontrados entre os 600 quilos de lixo já recolhidos nas ações de limpeza de praia promovidas pelo aquário SEA LIFE Porto

D.R.

O programa televisivo era sério, com espaço para debater temas polémicos. Em estúdio, o especialista Basílio Lopes da Silva falava sobre o “escândalo” das vindimas no nosso país. “Olhe, eu estou magoado e indignado com as vindimas”, começava por dizer o entrevistado, “porque as vindimas, no fundo, é apanhar uvas e as pessoas que estão em casa sabem que aquilo que eu estou a dizer é verdade”. Porquê? “Como é que se chama à apanha da maçã? Apanha da maçã. Como é que se chama à apanha da laranja? Apanha da laranja. Como é que se à apanha da uva? Ai, ui, as vindimas… Mas o que é isto?”, questionava, indignado, o personagem interpretado por Ricardo Araújo Pereira, numa das mais famosas rábulas do Gato Fedorento.

O grupo de humoristas ainda não conhecia, na altura, o conceito de plogging. O termo surgiu apenas em 2016, na Suécia, e, no fundo, é apanhar lixo. E não é brincadeira nenhuma. É algo que atrai cada vez mais voluntários com vontade de limpar o planeta, assim como preservar os espaços naturais e proteger a biodiversidade.

Iniciativas do género são promovidas, por exemplo, pelo SEA LIFE Porto, que já recolheu mais de 600 quilos de lixo e espera remover uma tonelada dos areais. A sexta e última ação promovida durante este verão pelo aquário portuense realiza-se no sábado (21 set) na Ribeira de Abade, em Gondomar, a partir das 9h45.

Trata-se de um regresso, pela terceira vez e a pedido dos próprios voluntários, pois no referido local tem sido encontrado “muitíssimo lixo”, como refere Tiago Mogadouro, diretor de marketing de SEA LIFE.

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Tudo pode dar à margem. “Desde pneus de camião, assentos de automóvel, garrafões, pedaços de barcos, redes de pesca, garrafas, telemóveis e até sistemas de refrigeração”, relata o responsável.

“Temos recebido um grande apoio da comunidade que se tem juntado a nós nestas ações”, destaca Tiago Mogadouro. “Em média cada ação de plogging contou com a participação de mais de 30 pessoas e nesta última iniciativa vamos ter mais ajuda, o que prova que as pessoas estão preocupadas com as questões do ambiente e querem ajudar a mudar mentalidades”, frisa o diretor de marketing.

Após a limpeza, os profissionais do aquário ficam com a responsabilidade de catalogar e separar o lixo.