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Ar de copas é trunfo: Serralves aposta no passadiço que sobe às árvores

A estrutura permite subir às árvores para ver, da perspetiva dos pássaros, a rica biodiversidade do Parque de Serralves. O passadiço horizontal, ao nível das copas e com uma extensão de 260 metros, é uma obra única em Portugal

Anabela Rosas Trindade

Os raios de sol penetram o rendilhado verde dos pinheiros, eucaliptos e das frondosas copas dos carvalhos-alvarinho, num cenário harmonizado pelo chilrear dos piscos e das pegas-rabudas. Lá em baixo, no lago, passeiam os patos-reais e saltam as rãs, ambos observados a 25 metros de altura pelo olhar curioso dos caminhantes, debruçados no miradouro colocado no novo passadiço serpenteante do Parque de Serralves.

“É entrar, passear e absorver esta calma”. O convite é de Carlos Castanheira, responsável por erguer o “Treetop Walk”, aberto ao público a partir deste sábado e com um sistema de limitação de entradas para 250 visitantes em simultâneo. “Até dava para mais, não fosse o cagaço dos engenheiros, mas também não queremos fazer disto uma romaria”, confidencia, entre risos, o arquiteto de 62 anos ao Vida Extra.

Ar de copas é o trunfo de Serralves, apresentado esta sexta-feira à comunicação social, durante uma visita guiada à nova valência. Depois da inauguração, em junho, da Casa do Cinema Manoel de Oliveira, agora é a vez de a Fundação explorar o caminho das árvores, num ano em que comemora o 30.º aniversário.

O itinerário com 260 metros de extensão permite ver e tocar a biodiversidade do Parque. "Tem a particularidade de ter três pontos de paragem: um miradouro com vista vertical para o lago, um auditório e outro local, mais ao fundo, onde se consegue, nos dias bons, ver uma nesga de mar", enaltece Carlos Castanheira.

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O passadiço, único em Portugal, foi construído em madeira — essencialmente reaproveitada dos incêndios — e tem uma altura em relação ao solo que oscila entre 1,5m e 25m. "Foi um trabalho bastante cirúrgico, com bons levantamentos topográficos e do volume das árvores", descreve o arquiteto.

O percurso permite também “potenciar um papel desempenhado, há muitos anos, para a preservação e conservação da natureza”, frisa Ana Pinho, presidente do conselho de administração de Serralves.

A dirigente assegura que a estrutura foi projetada de forma a "respeitar escrupulosamente a flora do local” e considera que esta é uma forma de sensibilização ambiental “mais fácil e atrativa para as pessoas”. E mais interativa também, com uma app pensada para guiar e complementar a experiência dos visitantes.

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A construção, que demorou quatro meses, “correu muitíssimo bem” e “sem derrapagens orçamentais”, destaca Ana Pinho. O projeto custou aproximadamente 1,5M de euros — com metade do financiamento proveniente do Fundo Ambiental do Estado Português.

As visitas ao “Treetop Walk” são gratuitas este sábado e, nos restantes dias, terão um custo de 10 euros, com o bilhete a dar acesso também ao Parque de Serralves.