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Cenas de um casamento português, por Pete Souza

O fotógrafo oficial de Barack Obama na Casa Branca esteve esta semana em Portugal, a terra dos seus avós. Esta é história por detrás da famosa foto de um casamento no Chiado. Leia a entrevista exclusiva ao lusodescendente, este sábado na Revista do Expresso

A noiva e o penetra

Pete Souza

A paciência é a grande virtude de um fotógrafo. Mesmo quando acompanhava todos os passos de Barack Obama na Casa Branca, muitos dos momentos da vida de Pete Souza eram como "ver tinta a secar na parede". Esta semana, depois de passar pelo Porto e antes de rumar aos Açores, a terra dos seus avós, o fotógrafo passou por Lisboa, onde registou a imagem que aqui encontra. Ao início da manhã desta quinta-feira, tinha quase 28 mil gostos no Instagram. Não consta que algum fosse dos noivos, que, provavelmente, desconhecem ainda que o seu casamento foi imortalizado pela lente do homem que, durante oito anos, fez algumas das fotografias mais icónicas de Obama.

A fotografia foi tirada no passado sábado, dia 7, enquanto o Expresso acompanhava Souza e um grupo de turistas dos EUA e Canadá que pagaram mais de 4500 euros para virem com ele a Portugal. De passagem pelo Chiado, o fotógrafo deteve-se perante a cena de um casamento português. Os noivos estão à porta da igreja, o arroz e as pétalas já a cobrir o chão. Vão cumprimentando os convidados. Está um calor dos infernos, mas isso não detém o lusodescendente. Espera determinado que o casal desça a escadaria de pedra e entre no automóvel clássico prateado que há de levá-los ao copo de água. Para já, há cerveja para acudir aos mais sedentos, cortesia de um jovem que transporta um pequeno barril às costas.

Pete atravessa a rua e posiciona-se ao fundo da escadaria, procurando uma sombra, Um punk aproxima-se. Parece saído dos anos 70, com as suas calças de xadrez vermelhas e um colete em cabedal gasto. O homem pega numa cerveja, mete as mãos ao cabelo tentanto, sem sucesso, fazer uma crista. Depois, lança-se escada acima. "Oh boy!", a coisa promete. Pete aponta a câmara, pronta a disparar. Ao ver o penetra alcançá-la, a noiva decide que está na hora de descer as escadas. Lá vai ela, vai formosa e segura, mais branca que a neve pura, neste vestido não há de o intruso derramar cerveja. O penetra ergue os braços em sinal de triunfo, celebrando não se sabe bem o quê. Clique! Já está. O insólito transformado em poesia. Camões não a escreveria melhor.