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Vida Extra

Nós e a nossa imagem. A obsessão pelo corpo perfeito

A ascensão das aplicações de telemóvel que permitem, em segundos, editar uma fotografia criou um submundo virtual em que a pele é perfeita, as viagens idílicas e os defeitos não existem. Há quem faça cirurgias para se parecer com a sua versão digital e quem só queira divertir-se a imaginar um ‘novo eu’. Estaremos a ir demasiado longe? Ou será que tudo não passa de um jogo?

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Quase tão antiga quanto a ideia de beleza é a pulsão, básica e humana, de querer ser belo. Ou de parecer belo, mesmo que a procura de uma definição para o conceito nos leve por caminhos sempre diferentes. Através da imagem, a representação de um ideal de beleza atravessa-se na história da cultura moderna como um sonho, permanente e mutável. Também como prisão, sobretudo no caso das mulheres, sempre sujeitas a regras. A verdade é que andamos todos a ver-nos e a ser vistos. E a fazer juízos a partir desses olhares, tentando prever o que nos dará um lugar melhor no imaginário do outro. Até fugindo a um padrão, estamos provavelmente a encaixar-nos num diferente. Em qualquer caso, o que essa busca infinita confirma é que estamos sempre insatisfeitos e que “essa insatisfação é em maior ou menor grau de acordo com a estrutura da personalidade e com os padrões de beleza que escolhemos”, completa Margarida Medeiros, investigadora em Cultura Visual há mais de 20 anos. O que a fotografia veio fazer, lembra, foi oferecer a hipótese de idealizar a nossa imagem, trabalhando-a, encenando-a.

Margarida Medeiros recosta-se na cadeira em que está sentada, uma das que ocupam o bar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, em Lisboa, onde dá aulas. Lembra-se de uma história contada por Pedro Miguel Frade, autor de uma obra pioneira em Portugal chamada “Figuras do Espanto: A Fotografia Antes da sua Cultura” (1992). A história diz que uma senhora burguesa vê um dos seus faustosos vestidos sobre a pele da empregada doméstica, que, apanhada em flagrante, imediatamente se justifica: “Peço desculpa, foi só para ir ao fotógrafo.” Não era importante que o vestido lhe pertencesse, senão que ela aparecesse nele. “A fotografia sempre teve essa vocação performativa e de autoembelezamento”, explica Medeiros.

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