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Vida Extra

FaceApp, TikTok e Grindr: Que perigos escondem estas apps?

Os utilizadore andam a aceitar os termos e condições dos serviço sem os lerem. E isso é um perigo

FACEAPP

Nas últimas semanas, o FaceApp foi uma das aplicações que mais captou a atenção dos utilizadores, chegando ao topo das preferências no iOS e Android. Mas a vontade de entrar na moda de envelhecer instantaneamente com recurso a uma simples aplicação, e em segundos, levou a que milhões de pessoas aceitassem os termos e condições do serviço sem os lerem. Só que o que ignoraram dá poderes demasiado grandes a uma startup russa desconhecida. Embora a empresa se tenha já defendido das acusações de que coleta os dados de quem a descarregar — diz que apenas pode armazenar as fotografias na cloud durante um breve período —, a verdade é que esta pode guardar dados como imagens, localizações, histórico de internet, entre outras, para sempre. E esta não é uma permissão que seja possível reverter, como os próprios expressam nos termos e condições, assim como na política de privacidade. Os dados das pessoas que utilizaram o FaceApp vão ficar nessa empresa russa até ao fim das suas vidas, com vários especialistas a associarem a responsável pela aplicação ao regime de Putin. “Uma pessoa pode chegar à fronteira com a Rússia e não entrar porque as autoridades percebem, através do reconhecimento facial e do cruzamento de dados, que um dia disse mal do país. Na China, isto já acontece”, exemplificou a especialista em segurança Elsa Veloso em declarações ao Expresso

TIKTOK

Os alarmes estão a soar junto dos países ocidentais, numa altura em que apps controladas por empresas chinesas estão a conquistar também os consumidores europeus e norte-americanos. Este ano, a aplicação de partilha de vídeos curtos TikTok (que absorveu a concorrente Musical.ly) é uma das mais descarregadas — atualmente em terceiro lugar no top de entretenimento da App Store —, mas já foi várias vezes penalizada por desrespeitar a privacidade de menores. Nos Estados Unidos, a Federal Trade Commission acusou a empresa detida pelo gigante tecnológico ByteDance de ter recolhido informação pessoal de crianças e esta acabou por pagar uma multa de 5,7 milhões de dólares (5,1 milhões de euros) pela violação das normas em vigor. No Reino Unido, está a decorrer uma investigação sobre a possível violação do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados em vigor na União Europeia, também em relação aos dados de menores.

GRINDR

As aplicações de encontros estão entre as que recolhem mais dados — por exemplo, o Tinder, por se ligar a redes maiores como o Facebook, tem acesso a um conjunto alargado de informações, às quais soma todas as que recolhe. Mas as autoridades norte-americanas estão mais preocupadas com o Grindr, uma rede social para gays, bissexuais e transgéneros que recorre à localização por GPS para promover encontros e que está a gerar polémica. Criada na Califórnia em 2009 e utilizada em 192 mercados, está agora em mãos chinesas e os Estados Unidos acreditam que há razões para temer sobre os dados recolhidos pela plataforma.

São conhecidos vários casos de dados vendidos a empresas externas, incluindo fotografias, mensagens e contas que os utilizadores julgavam apagadas. Mas também informações de saúde relacionadas com o VIH — há um campo em que é possível dizer que se foi ou não infetado —, entretanto já comercializadas. O problema maior é que foram os clientes do Grindr a aceitar que os seus dados podiam ser vendidos. Mais uma vez, estava tudo nos termos e condições com os quais concordaram quando descarregaram a aplicação.