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Vida Extra

Uma planta (mais ou menos) como as outras

Apesar de ser preciso mais informação, o estudo da canábis e dos seus efeitos deu um salto nos últimos anos e já há alguns consensos científicos. O seu uso para fins medicinais é um deles. Em Portugal isso já é legal, mas na prática ainda não acontece

Carlos Esteves

Carlos Esteves

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Faz este ano cem anos que o mundo decidiu unir-se contra as drogas. O primeiro tratado internacional para as controlar entrou em vigor a nível mundial a 28 de junho de 1919, quando um texto intitulado “Convenção Internacional do Ópio” foi anexado ao Tratado de Versalhes. Esse mesmo texto já tinha sido escrito em 1912, na cidade holandesa de Haia, e assinado por 12 países — entre os quais Portugal —, mas a Primeira Guerra Mundial impediu que fosse logo posto em prática. A ideia era aniquilar o comércio do ópio vindo da China; mais tarde, em 1925, a lei foi revista para proibir a exportação de haxixe indiano para o resto do mundo, tornando a canábis ilegal.

A Organização Mundial da Saúde estima que existam 147 milhões de consumidores de canábis em todo o mundo, o que equivale a cerca de 2,5% da população mundial. Entre 1998 e 2017, o consumo de canábis aumentou 30%. Especificamente na Europa, 6% a 7% dos cidadãos entre os 15 e os 64 anos fumaram-na nos últimos 12 meses, e 1% fá-lo diariamente. Os jovens adultos consumidores — na faixa etária entre os 15 e os 34 anos — andarão à volta dos 17,5 milhões. A EMCDDA — Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência — estima que essa percentagem em Portugal seja de 8%, sendo que 11% das pessoas consomem canábis ao longo da vida, e 15% dos adolescentes experimentam-na pelo menos uma vez durante o percurso escolar. Recentemente, um estudo do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) concluiu que os jovens portugueses estão a fumar com mais regularidade: 26,7% dos jovens fizeram-no no ano passado, um valor em crescimento gradual desde 2015.

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