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A tatuadora de 102 anos que mantém de pé uma tradição ancestral

Whang-Od já foi personagem central de um documentário e tem marcado presença no Instagram. Tudo por causa dos turistas que a visitam

Whang-Od

lablouseroumaine / Instagram

É das histórias que primeiro custa a acreditar e depois se torna popular ao ponto de atrair os mais variados visitantes. Há uma mulher nas Filipinas, numa pequena vila a mais de 460 quilómetros da capital Manila, que tem 102 anos, o que de si já seria notícia. Mas Whang-Od Oggay, que responde também por Whang-Od ou Maria Oggay, é tatuadora profissional — e artesanal. Utilizando uma mistura de tinta e água, socorre-se de ferramentas que ajudam a marcar o desenho a pele, como um espinho de uma árvore nativa, carvão e uma vara de bambu, com que cria os contornos.

Whang-Od é o que nas Filipinas se chama uma mambabatok (tatuadora), a mais antiga do país. Todas as manhãs, ao amanhecer, recebe visitantes dos quatro cantos do mundo, que têm de ter feito, no mínimo, uma viagem de 15 horas entre a capital e a aldeia montanhosa de Buscalan, província de Kalinga, apenas acessível através de uma caminhada de mais um quilómetro. Ali chegados, os turistas encontram-no, são tatuados e registam o momento. É o que se tem visto pelo Instagram:

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A maioria dos desenhos tem as formas tradicionais da região, entre estampas tribais e animais, sempre com linhas e formas simples e com motivos relacionados com a força, a beleza e a fertilidade. Whang-Od mantém a tradição que conhece desde sempre: aos 15 anos, incentivada pelo pai, aprendeu a tatuar, numa altura em que a tarefa era sobretudo masculina. As mulheres, porém, não deixavam de as usar e as tatuagens encaixaram desde essa altura no padrão de beleza aceite na região. Agora promete espalhar-se por outros cantos do planeta.

Em 2013, um documentário sobre a tradição e resistência da mulher, agora com 102 anos, foi publicado no YouTube.

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