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“Biscoitos da Amélia”. Como uma cadela doente deu origem a um negócio que pode salvar outros animais

Amélia, cadela traçada de Golden Retriever, foi abandonada num canil e ficou doente, mas acabou por ganhar um lar, onde a sua condição levou a dona a criar biscoitos que são hoje um negócio nos Açores

EDUARDO COSTA

Patrícia Varão, residente na Lagoa, na ilha de São Miguel, define-se como uma “verdadeira apaixonada por animais”. Há um ano e alguns meses deparou-se com uma fotografia daquela que viria ser a sua Amélia — não conseguiu ficar indiferente e no final daquela semana resgatou a cadela.

Uns dias depois, porém, Amélia estava “apática e de gengivas esbranquiçadas”, pelo que Patrícia a forçou a beber água através de um seringa, decisão que “salvou a vida" da cadela. A cadela, disse depois o veterinário, contraiu no canil uma gastroenterite e possivelmente, parvovirose, ambas normalmente fatais em cachorros.

Seguiram-se consultas diárias e exames que confirmaram que Amélia tinha os intestinos frágeis e que o seu estômago não tolerava alimentos processados. A partir deste diagnóstico, Patrícia começou a procurar alimentos tolerados por Amélia, uma vez que os patés, rações e biscoitos comercializados pelas grandes superfícies comerciais não eram adequados para a cadela.

Foi nesse percurso que nasceram os “Biscoitos da Amélia”.

EDUARDO COSTA

Os ingredientes — farinha de aveia integral, mel, canela e banana — são todos tolerados pela cadela: “Os biscoitos que são feitos fora levam corantes, são processados e aí a Amélia não os pode comer de forma alguma”, conta a dona. “O segredo do negócio vem do amor pela cadela. Se não fazem mal à Amélia, não fazem mal a ninguém”, diz ainda Patrícia Varão, que não tinha, de início, o intuito de vender biscoitos, mas, incentivada por amigos, é já dona de um “negócio familiar” de algum sucesso, inclusive na rede social Facebook.

Atualmente, a micaelense diz não ter um espaço físico para vender os biscoitos, admite que isso “seria o concretizar de um sonho”. “Gostava imenso e adoraria abrir uma loja, e daqui a uns tempos chegar a um outro biscoito com um outro sabor, mas tudo tem de ser muito bem pensado e bem estudado. Para já gostaria de manter os biscoitos como estão, tentar expandir mais um bocadinho o negócio”, declara.

Patrícia Varão diz ser frequentemente contactada por pessoas do continente português à busca de biscoitos, além de ter recebido o interesse de uma possível cliente na Suíça que tem um cão com os mesmos problemas do que Amélia. Porém, os portes de envio dos Açores para Portugal continental ou o resto da Europa “acabam por representar um entrave, pois são mais caros do que os próprios biscoitos”, lamenta.

EDUARDO COSTA

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