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Human Design: a ciência mística para desenhar a estratégia da felicidade

Sabe o que é o Human Design? O Vida Extra foi a uma consulta desta ciência mística e explica-lhe tudo para descobrir o seu papel no mundo. Será você um gerador, projetor, manifestador ou refletor?

O Human Design tem como objetivos a aprendizagem da estratégia de vida e da autoridade individual

Raquel Soares

A porta do consultório fecha-se. Abre-se o mapa do ser. Sobre a mesa, é traçada a estratégia de vida, simultaneamente empírica e esotérica para reforçar a autoridade interna de decisão. O jornalista está sentado, frente a frente, olhos nos olhos, com a entrevistada a quem deu apenas a data, a hora e o local de nascimento. Não tem direito a perguntas e, paradoxalmente, é ela quem liga o gravador para registar uma odisseia à procura da essência do sentido da vida nos trilhos do inconsciente. “Dizem que sou muito mandona, porque não deixo ninguém falar enquanto estou a gravar”, começa por avisar, entre risos, Idalina Fernandes, analista de Human Design com quinze anos de experiência.

O Human Design tem como objetivos a aprendizagem da estratégia de vida e da autoridade individual

O Human Design tem como objetivos a aprendizagem da estratégia de vida e da autoridade individual

Raquel Soares

“Agora, vai ouvir-me enquanto eu estiver a falar e a gravar”. Assim determina a guia de 49 anos, por se tratar de “um trabalho de reprogramação celular e, se ficassem registadas as perguntas, as dúvidas, iria estragar o processo” de alinhamento com a natureza individual. E saiba, desde já, que cada pessoa pertence a um de quatro tipos de perfil: geradores, manifestadores, refletores e, os mais recentes, projetores. Cada um tem um papel a desempenhar no mundo.

A professora Idalina faz o resumo. “Os geradores, mais comuns, são os ‘builders’ e a força-viva do planeta. Correspondem a 70% da população. Estão aqui para gerar e fazer, são aqueles que fazem acontecer”, como comprovam Albert Einstein, Dalai Lama, Lenine ou Madonna. Já os manifestadores — não se assuste, mas Hitler era um deles — representam 9% das pessoas e “estão no mundo para fazer coisas completamente diferentes, porque se sentem desajustados e têm como missão tomar iniciativas, mas não necessariamente concretizá-las”. Por sua vez, os refletores constituem apenas 1% dos indivíduos e “acabam por ser os juízes ou a interpol da humanidade, para garantir que os restantes cumprem os papéis determinados”. O mais célebre desta minoria é Fiódor Dostoiévski. O perfil mais recente, “surgido em 1781 devido a um fenómeno cosmológico”, são os projetores — tal como Nelson Mandela, Barack Obama, Princesa Diana, Fidel Castro, James Joyce ou Salvador Dalí —, “uma evolução necessária para a sobrevivência, porque a espécie estava perdida e foi preciso aparecer um tipo que servisse de guia para os restantes”.

O mapa de Ra Uru Hu, fundador do Human Design

O mapa de Ra Uru Hu, fundador do Human Design

D.R.

Está dado o mergulho numa “ciência de origem mística”, como define a pioneira pela introdução no nosso país de um método desenvolvido por Ra Uru Hu, um manifestador, um homem de negócios, que a 3 de janeiro de 1987 teve a revelação, cinco anos mais tarde materializada com a abertura da International Human Design School (IHDS).

“Numa fase eremita, em que viveu em Ibiza, diz que ouviu uma voz, num momento estranho, dizer-lhe o que deveria conciliar para conceber esta técnica”, conta Idalina, ao Vida Extra. O mensageiro “devia conjugar a física quântica, a genética, a bioquímica, aliadas aos conhecimentos esotéricos da cabala, da cosmologia e do sistema hindu de chakras”, enumera a especialista, responsável pela tradução, para português, da obra “O Livro Definitivo de Human Design - A Ciência da Diferenciação”, escrita por Lynda Bunnel.

Não se trata de uma filosofia nem de um sistema de crenças. Não há símbolos nem orações. É uma forma lógica de nos vermos por dentro. “A base para a construção do mapa individual de cada um são os neutrinos — partículas subatómicas ínfimas de informação que nos afetam. São como a nossa definição genética do universo”, assegura Idalina Fernandes, relativamente a uma técnica já irrigada em países como os Estados Unidos, Rússia, Japão e China. Em Portugal, ainda é praticamente desconhecida, mas o “passa-palavra” é a melhor publicidade. “As pessoas saem daqui, gostam da experiência e, muitas vezes, querem logo marcar uma consulta para familiares e amigos”, frisa a perita certificada pela IHDS.

Raquel Soares

O reconhecimento por parte da comunidade científica também já bate à porta. “Algumas pessoas são encaminhadas por psicólogos, psiquiatras e até mesmo médicos de família”, assegura a analista. Está acostumada a receber todos aqueles que, “quando já foram a todo o lado e ninguém resolveu, procuram a Idalina”, que pode ser encontrada no consultório do número 264 da Avenida do Bessa, no Porto.

O ideal, refere a analista de Human Design, é fazer uma consulta de seis em seis meses, uma vez que a primeira constitui apenas uma abordagem inicial e são as sessões posteriores que permitem aprofundar a descoberta do “self”.

Ainda se lembram do gravador, o mesmo que Idalina utilizou para registar a consulta? Pois bem, cada pessoa, depois de sair da consulta, deve ficar com a gravação e ouvi-la em casa, recomendavelmente uma vez por semana, descobrindo novos significados a cada nova escuta.

Se ficou curioso sobre este tema, saiba que facilmente pode obter, online, o seu próprio mapa de Human Design e saber, entre outros aspetos, se a sua personalidade se encaixa na de um gerador, manifestador, refletor ou projetor.

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