Perfil

Vida Extra

Sugestões: o ponto alto da Festa dos Tabuleiros, em Tomar, chega este fim de semana

Dada a sua complexidade, a festa realiza-se de quatro em quatro anos — a inauguração das ruas ornamentadas foi esta quinta-feira e o grande cortejo é no domingo

Festa dos Tabuleiros, em Tomar

Jaimrsilva / Wikimedia Commons

A Festa dos Tabuleiros, que se realiza de quatro em quatro anos em Tomar, no distrito de Santarém, tem este fim de semana o “ponto alto”, no dia 7 de julho, com a saída de 748 tabuleiros (mais 58 que em 2015) — transportados à cabeça por raparigas trajadas de branco. A Festa dos Tabuleiros, uma das manifestações culturais e religiosas mais antigas de Portugal, realiza-se por decisão da população, que se reúne um ano antes, iniciando os trabalhos de confeção das flores para os tabuleiros e para a ornamentação das ruas.

No último fim de semana, o de abertura da festa, o destaque foi para o Cortejo dos Rapazes, tradição retomada na festa de 1991 e que reproduz, à dimensão das crianças, o grande cortejo dos Tabuleiros.

A inauguração das ruas ornamentadas aconteceu esta quinta-feira, 4 de julho, o Cortejo do Mordomo é esta tarde e os Cortejos Parciais dos Tabuleiros a 6, dia em que se disputam as finais dos jogos populares e se expõem os tabuleiros na Mata dos Sete Montes (de acesso ao Convento de Cristo), com o grande cortejo a acontecer no dia 7, encerrando a festa no dia 8, quando é feita a distribuição do Bodo ou Pêza.

Os tabuleiros da festa de Tomar, únicos com esta forma nas tradicionais festas do Espírito Santo que se realizam um pouco por todo o país, têm na base um cesto de verga que é enfeitado com um pano bordado ou em renda. No cesto são espetadas cinco ou seis canas, dependendo da altura da rapariga que o vai transportar, que levam cinco ou seis pães (no total têm de ser obrigatoriamente 30), numa estrutura que é enfeitada com coloridas flores (papoilas e espigas são obrigatórias) e encimada com uma coroa que leva uma pomba branca ou a cruz da Ordem de Cristo. A rapariga traja de branco com uma faixa da cor dominante do tabuleiro que transporta à cabeça (com cerca de 10 quilogramas), cor que o rapaz usa também na gravata e na cinta que enfeitam o fato de camisa branca e calça preta.

Com origem pagã, simbolizando a época das colheitas, a Festa dos Tabuleiros adquiriu caráter religioso na Idade Média, com a Rainha Santa Isabel, estando em curso os trabalhos de investigação para sustentação da candidatura a Património Nacional e posteriormente a Património Imaterial da UNESCO.

Dada a sua complexidade, a festa realiza-se de quatro em quatro anos, tendo havido apenas uma edição em que o povo decidiu adiar a sua realização por um ano, por coincidir com a Expo 98, evento no qual participou com um cortejo a convite do então Presidente da República, Jorge Sampaio.

Siga Vida Extra no Facebook e no Instagram.