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I ❤️ PORN, por Luís Pedro Nunes

É por ele que todos vivemos uma renascença sexual. Mesmo os que não veem

JLGUTIERREZ/GETTY IMAGES

Mais um texto sobre porno? Como assim, mais um? Há excesso de reflexão? Há um Platão numa caverna a filosofar sobre o fenómeno MILF, BBW e TS? Só num dos agregadores, o PornHub, há 92 milhões de visitantes diários, 962 visitantes por segundo a “investigar” o equivalente a 115 anos de seres a fornicar no nosso smartphone, em curtos vídeos carregados em 2018. Qualquer coisa como um milhão de horas. Se começasse a ver todos de seguida neste momento, veria porno ininterruptamente até 2134. E desconfia-se que muitos dos “outros” que andam a ver porno possam ser alguns de “nós”. Eis o que tenho constatado. Ali para 2010 houve uma certa complacência glamorosa para a coisa e uns ares de porno-chic na sociedade, agora aceitou-se que é aquela cena que “alguém” anda a “consumir” expondo-se ao perigo, pois excesso faz mal ao cérebro, vicia e destrói matrimónios porque o homem, na sua fraqueza, fica agarradito e à noite vai ver porno em vez de cumprir os seus deveres jurados perante Deus nos votos de casamento, que não contemplavam ser um onanista compulsivo. Ora, quem tenha um pouco de paciência para fazer um pouco de googlação poderá facilmente descobrir que, após anos de investigação, a Ciência descartou a ideia de “adição ao porno”. É uma ideia criada pela indústria que “combate os vícios” em clínicas e leva um pipa de massa a estrelas de Hollywood. Uma indústria onde a religião está normalmente presente. É negócio. Não é ciência. Vão ler. Investiguem. Não é patologia que se veja em ressonâncias magnéticas ao cérebro.

Sim, o consumo de porno tem os seus “perigos” — os alertas estão por aí — do género não se saber bem como o efeito do consumo maciço pelos adolescentes, antes de uma vida sexual ativa. É outro debate e já o tive nesta página. Mas não há nada de positivo? Olhe-se para o Pornhub. Leio num artigo da “New York Magazine”: “É o ‘Kinsley Report’ dos nossos dias e fez mais para expandir a paisagem sexual que Master and Johnson e Freud em conjunto”. Pode parecer arriscado e provocador, mas o texto visa glorificar um agregador de porno que faz mais do que disponibilizar filmes: compila, analisa e faz curadoria dos comportamentos dos consumidores de porno do mundo inteiro. E fá-lo há uma década. O que permite constatar as mais inesperadas análises sobre as mais íntimas preferências sexuais no que refere ao consumo de porno. O Pornhub disponibiliza os seus conteúdos gratuitamente e quem tenha espreitado por lá — quem nunca? — não pode deixar de ficar esmagado com a explosão de categorias e subtipologias dessa coisa supostamente instintiva e mecânica que é o sexo. Há de tudo. Ora, pode-se reagir: c’horror, como é possível? Ou dizer: “Que beleza, vivemos a idade de ouro da criatividade sexual, é um renascimento erótico, há mais desbunda em cinco minutos de Pornhub do que em toda a vida de Calígula”. Sim, estive a citar algo que li e que tenho para aqui nos apontamentos.

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