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Podem umas colunas custar um milhão de euros? Podem. E já deram som em Lisboa

Conheça as WAMM Master Chronosonic, da empresa norte-americana Wilson Audio

Esta é a história de um homem que dedicou toda a sua vida a ressuscitar música. Qualquer música, de qualquer estilo, época ou região. Dave Wilson foi um cidadão norte-americano cujo objetivo foi transformar um som comum num som perfeito, digno do melhor concerto de música do mundo. No fundo, uma ferramenta capaz de suspender temporariamente a realidade, algo capaz de fazer qualquer pessoa ouvir e sentir música a ser criada diante de si. Por isso, Dave Wilson fundou a Wilson Audio e trabalhou para tornar esse sonho realidade. Aproximou-se desse sonho várias vezes, mas só nos últimos anos de vida é que finalmente o atingiu, deixando-o como um legado que poucos poderão apreciar, mas cujo valor é absoluto.

Na última sexta-feira, dia 18 de maio, esse seu legado materializou-se em Lisboa. As colunas chamam-se WAMM Master Chronosonic e foram apresentadas na Imacustica. São a ferramenta imaculada que Dave Wilson passou a maior parte da sua vida a idealizar. E, como explicou Peter McGrath, homem forte da Wilson Audio e responsável pela apresentação, trata-se de uma utopia que, com o passar do tempo e de muito trabalho, se tornou realidade. Durante anos a empresa norte-americana aproximou-se a essa perfeição com vários modelos, mas só agora, depois da morte de Dave Wilson, é que a música ressuscitou totalmente. São as melhores colunas do mundo e, por isso, custam um milhão de euros.

As WAMM são um sonho imponente, entre drivers, tweeters, subwoofers e cabos de topo. A sala sóbria que a Imacustica montou para a ocasião estava equipada. O ar-condicionado estava desligado, e antes de Peter McGrath começar a falar a única janela foi fechada - bem fechada - para que nenhum barulho da rua perturbasse a demonstração de perfeição que Peter McGrath prometeu passado uns minutos, já depois de convidar os presentes na sala a apreciar as colunas de perto, cada detalhe de ciência e engenharia devidamente alinhados para que o som ganhasse vida. Explicou o processo de calibração que é necessário fazer sempre que as colunas fossem movidas, e repetiu a essência por trás de tudo aquilo, uma simples frase com que Dave Wilson resumia a audiofilia, o prazer de ouvir música exatamente como ela fora pensada e executada: “It's about time.” É uma questão de tempo, o tempo que o som demora a fazer a viagem até aos ouvidos de quem escuta, e a precisão com que essa viagem é feita.

Som Perfeito

A experiência demorou alguns minutos a iniciar-se - aqueles mínimos problemas técnicos cuja única função é aumentar a expectativa de um grande momento - mas assim que Peter McGrath pressionou play no leitor de CD’s, todos os presentes puderam confirmar a pureza do som que as colunas re-criavam. Terminada aquela faixa, seguiram-se outras, de todos os géneros e alturas, desde música clássica e ópera até jazz ao vivo gravado numa época em que mesmo a mais rudimentar coluna pessoal não passava de… lá está, um sonho. Seguiu-se ainda uma incursão pelo vinil e, finalmente, pelo Spotify, para provar que a qualidade do som não se devia à qualidade da fonte de onde era extraído: mesmo nos ficheiros digitais do serviço de streaming, o detalhe e o calor das músicas eram absolutos, a um nível nunca antes ouvido. Aliás, todas as músicas ouvidas no completo silêncio da sala da Imacustica tinham isso em comum: os seus músicos estavam a tocar a escassos metros da plateia, como se os ouvintes estivessem a ter o privilégio de estar no estúdio com eles a criar cada uma das passagens, cada melodia, acompanhamento, break e solo de guitarra ou bateria. Quando chegou a vez das WAMM mostrarem ópera, o som da voz era tão forte quanto cristalino. E, como se todas estas demonstrações não fossem suficientes, Peter McGrath disse que todos podiam fazer pedidos - uma música predileta, que conhecessem bem - para a ouvirem através das WAMM, e re-descobrirem uma música nova. O Vida Extra fez o seu pedido, e comprovou isso mesmo.

Fica a pergunta: valem estas colunas um milhão de euros? A resposta parece ser óbvia, mas desde que o modelo foi lançado na América que quase uma centena de pessoas abriram os cordões à bolsa e o compraram, compra essa que em alguns casos envolveu a construção de uma nova divisão nas casas só para as colocar. Obviamente, são pessoas com bolsas mais fundas do que a maioria. E para os poucos dessa maioria que tiveram a oportunidade de ouvir as WAMM em acção, voltar a ouvir música tornou-se uma experiência um bocadinho menos prazerosa: as colunas destinadas aos comuns dos mortais, por muito boas que possam ser, deixaram de ser suficiente.

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