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Coma bem, fique abençoado e tenha um dia bonito. Como o mundo se despede nos e-mails

Culturas diferentes têm maneiras diferentes de terminar um e-mail. E raramente soam bem

NeONBRAND

Escrever um e-mail é díficil. As palavras podem ser bem medidas, mas rapidamente se tornam demasiadas, muito vagas, pouco ou muito simpáticas. A mensagem perfeita, naquele tom incrivelmente calibrado que temos na cabeça, rapidamente se torna num conjunto de frases mal amanhadas, a precisar de remendo, sem a piada ou a assertividade necessária para a ocasião.

E, se escrever um e-mail é díficil, ter de o começar com a saudação indicada - é uma mensagem para o chefe? para um colega? é um pedido de desculpa? ou uma exigência sumária? - é provavelmente mais difícil ainda. Ultrapassada essa luta inicial, e depois da ideia pretendida estar perfeitamente cristalizada, surge a dificuldade final: a despedida. As últimas palavras que o nosso interlocutor vai ler antes de - se tudo correr bem - nos responder.

Coloquemos os conflitos de lado e centremo-nos apenas nas despedidas neutras, comuns, profissionais, talvez até simpáticas e carinhosas. Como é que fazemos em Portugal? As opções são várias, e há toneladas de páginas online que pretendem alargar ainda mais as escolhas. Com os melhores cumprimentos, atenciosamente, atentamente, desde já o meu obrigado, aguardo a sua resposta, não hesite em contactar-me, entre mil e uma outras escolhas possíveis. Soam todas bem, normais, neutras, calorosas quanto baste. Mas noutros países não soariam.

O que é que pensaria se recebesse um e-mail profissional que terminavam com “Mil beijos”? Demasiado íntimo, provavelmente? Ora, em França, é comum as despedidas eletrónicas acabarem desta forma; no original francês, “Mille baisers”. Em contrapartida, o típico “Regards” ou “Best Regards” britânico soa incrivelmente seco e frio a falantes árabes, que costumam usar um muito mais poético “Taqabalou waafir al-iHtiraam wa al-taqdeer”, ou, em tradução literal, “Aceite uma abundância de respeito e apreciação”.

Na Nigéria, usa-se “Stay blessed” com frequência, mas em Portugal seria estranho ler um e-mail que terminasse com “Continue Abençoado”. O desejo “Eat Well” - ou “Coma bem” - usado no Quénia, por alguma razão também não é muito popular cá. Ainda em francês, a última tendência é uma despedida com “Belle journée”, ou “Tenha um dia bonito”. “Un abrazo” hispánico, por exemplo, levaria alguém de uma cultura mais distante e reservada - como a britânica - a franzir o sobrolho ao excesso de confiança. Em países europeus como a Hungria, a Alemanha, a Suécia ou a Noruega, vê-se alguma uniformização neste aspecto escorregadio da linguagem: usa-se uma variante do simples “Best Regards”. Se já está demasiado confuso, pode sempre optar pela simples prática utilizada na China: os chineses não têm o hábito de se despedir nos e-mails, ponto. Dizem o que querem dizer, e ficam-se por aí.

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