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Pior do que inimigos, eles eram irmãos. Quando o bullying está dentro de casa

Irmãos à bulha é uma das mais antigas histórias do mundo. Mas o que parece ser a normalidade também pode ser bullying com consequências pesadas. Qual é a fronteira? Três testemunhos de vida dão nos conta que o fenómeno é bem mais complexo do que parece.

Andrew Seaman / Unsplash

Nós, os irmãos. Gnomos na mesma floresta de sonhos e enganos, a aprender o mundo quando ainda não o conseguimos interpretar por palavras ou atos, apenas pelo que nos chega do clarão que ilumina o afeto e o espanto. Cabe aos irmãos partilharem as memórias do início — se tudo correr bem será a relação mais extensa que iremos transportar no decorrer da vida.

A fratria começa com o nascimento do segundo filho e carrega na sua raiz etimológica a palavra frater, aquela que se refere ao amor fraterno. Amo-te como se fosses meu irmão; por ti faria o que faço por um irmão. Frases que se pronunciam para selar as mais fundas e leais amizades. Mas se os laços de sangue deveriam cimentar o pilar da extrema confiança, na parábola bíblica sobre a origem do mundo a fratria ficará manchada de morte. Caim e Abel, filhos de Adão e Eva. O primeiro crime que se cometeu na história da Humanidade é um crime fratricida.

“Na teoria psicanalítica há uma compreensão do ser humano que é sempre aplicável e nos ajuda a perceber muitas coisas. Caim mata Abel para ocupar o lugar da atenção do pai. A força desta situação humana atravessa o tempo”, reflete o psicanalista João Seabra Diniz. “Absorvemos que o amor entre irmãos é um amor natural. Mas a rivalidade fraterna é uma coisa séria e tem muito que se lhe diga”, continua o psiquiatra. “Claro que existem vários níveis de rivalidade, um que pode ser saudável e se não for agressivo gera uma competição relativa que poderá ser estimulante para a aprendizagem social. Depois, há coisas destas que nos parecem superficiais no dia a dia mas que se forem muito intensas e permanentes podem transformar-se em raiva e ódio. Quando uma pessoa se sente mal-amada, qualquer coisa pequena faz doer muito.”

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