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Um assassino da Revolução Francesa poderá ser crucial na reconstrução da Catedral de Notre-Dame

Arno Victor Dorian tem 251 anos: é uma personagem fictícia, é certo, mas sabe tudo sobre o símbolo de Paris que ardeu esta segunda-feira

Assassin's Creed / YouTube

Arno Victor Dorian conhece a Catedral de Notre-Dame como a palma da sua mão. Nascido em 1768, este homem francês ficou conhecido em 2014 quando começou a explorar o edifício parisiense. Viu tudo. Saltou sobre todas as pedras, escalou uma a uma todas as gárgulas góticas, passou inúmeras vezes pelo Portal de Santa Ana e pelo Portão da Virgem. Subiu religiosamente os sessenta e nove metros até ao pináculo da catedral para cumprimentar o apóstolo Tomás. E milhões de pessoas acompanharam-no à distância. Começaram a fazê-lo em 2014 e continuam a fazê-lo hoje. Além disso, Dorian foi um assassino durante a Revolução Francesa: a sua experiência da capital francesa é única. E é essa experiência que pode vir a ser preciosa no futuro, em 2019 e nos próximos anos, quando o processo de reconstrução da Catedral de Notre-Dame se iniciar.

Sim, Arno Victor Dorian é uma personagem de ficção. Concretamente, uma personagem de um videojogo — Assassin's Creed Unity — passado no século XVIII e lançado no século XXI. Mas neste momento, isso interessa pouco. Depois do incêndio que destruiu grande parte da Catedral de Notre Dame na passada segunda-feira, a linha que separa a realidade da ficção tornou-se mais flexível, a fronteira entre o passado do presente abriu-se. São palavras de Emmanuel Macron, presidente francês: “Juntos vamos reconstruir a Catedral.” Para cumprir esse objetivo, a França precisará da ajuda de tudo e todos, pessoas imaginárias incluídas. E Dorian e o seu jogo, apesar de ficção, poderão vir a ter uma importância bem real no processo, um papel central na reconstrução de um dos maiores símbolos franceses.

Stephanie LeBlanc

A pergunta que agora se impõe é óbvia: como é que um jogo de computador pode ajudar a reconstruir uma Catedral?

Caroline Miousse responde. Miousse é uma designer gráfica da Ubisoft, a empresa francesa responsável pela saga Assassin’s Creed; para produzir o Unity, passou dois anos e meio da sua vida a estudar ao detalhe todo o edifício parisiense, para que a sua versão no jogo fosse o mais realista possível. Um trabalho minucioso, foto a foto, visita a visita, para que a arquitectura do jogo fosse (quase) tão perfeita como a da vida real. A Ubisoft tem especial brio nas recriações de cenários históricos que faz para os seus jogos. E, neste caso, toda essa informação está guardada digitalmente. Ao pedido do site Business Insider, os responsáveis não responderam se estariam abertos a disponibilizar ao governo francês a informação detalhada de que dispõem (veja no vídeo abaixo algumas cenas do jogo).

Certo é que a Catedral de Notre-Dame é a musa do Assassin's Creed Unity e parte central da sua narrativa. Essa homenagem poderá agora ser feita na altura em que França mais precisa dela. E na vida real.

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