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Vida Extra

Há muito muito tempo, fomos todos um bocadinho mamutes

E o próximo passo é trazê-los de volta

April Pethybridge

Foi há mais de 4 mil anos o último suspiro do último mamute na Terra. Mas o animal resistiu. Perdoou-nos as caçadas que o levaram à extinção e aceitou viver no nosso imaginário colectivo enquanto nos divertimos a recriar a Idade do Gelo, a época onde durante dezenas de milhares de anos partilhamos todos os continentes da Terra com eles. Eles, os mamutes; nós... os neandertais, lado a lado numa relação especial assente num aspeto tão importante como a alimentação: para se alimentarem e sobreviverem, tinham de comer aqueles elefantes maiores.

Agora, milhares de anos depois, um grupo de cientistas da Universidade de Tel Aviv concluiu que a relação entre estas duas espécies (já extintas) vai além das necessidades da carne. Aparentemente, mamutes e neandertais partilhavam traços genéticos. Teriam as suas diferenças — como é natural quando há caçadores e presas — mas algo no seu código identitário os unia. O investigador Ran Barkai explica: “Dizem que somos o que comemos. Isto era especialmente verdade no caso dos neandertais: eles comiam os mamutes mas aparentemente também eram geneticamente parecidos com eles.”

Christopher Alvarenga

Tudo isto por causa do frio. As duas espécies desenvolveram variantes de moléculas similares para se adaptarem ao frio. A Idade do Gelo, como o próprio nome indica, estava longe de ter um clima simpático. Barkai adianta que esta descoberta “abre caminhos sem fio para nova pesquisa na evolução, arqueologia e outras disciplinas.” E os cientistas acreditam que regressar (em parte) ao gelo de há milhares de anos poderá ajudar a combater o aquecimento global. Até porque o desaparecimento dos mamutes não se deveu apenas à fome dos neandertais, mas também ao facto da terra ter ficado progressivamente mais quente.

O próximo passo? Trazer os bichos de volta. Uma equipa da Universidade de Harvard — com o fantástico nome “Woolly Mammoth Revival Team” — quer colocar genes de mamutes em elefantes asiáticos. No mês passado, implantou células de um mamute que morreu há 28 mil anos em células de um rato, e viu sinais de actividade biológica. E, apesar de garantir que não vamos conviver com mamutes imediatamente, esta equipa de cientistas tem confiança de que é possível fazer renascer o animal. Aguardemos pelo próximo suspiro do mamute.

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