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Vida Extra

Esta é a primeira imagem de um buraco negro. Uma pequena imagem para o homem, um grande salto no escuro para a Humanidade

Veja a primeira imagem captada de um buraco negro supermassivo, localizado no centro da galáxia M87, a 55 milhões de anos-luz

ANDRÉ MANUEL CORREIA E TIAGO SOARES

EHT COLLABORATION

Parece um anel e, na verdade, trata-se do casamento da realidade observável com as teorias de Albert Einstein. A descoberta histórica, anunciada esta quarta-feira, foi lograda graças a oito radiotelescópios do projeto “Event Horizon Telescope” (EHT), que captaram a primeira imagem de sempre de um buraco negro, do tipo supermassivo, com uma massa de 6,5 mil milhões de vezes superior à do Sol.

O português Carlos Moedas, comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, afirma que "a história da ciência ficará dividida entre o tempo precedente a esta imagem e o tempo depois da imagem", acrescentando que o feito inédito, resultante de uma colaboração internacional, é "uma lição para os políticos".

Após dois anos de análise de dados, o mundo pode ver, pela primeira vez, um gigante cemitério e monstro papão de estrelas, no centro da galáxia M87, a 55 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Virgem. Os buracos negros eram, até à atualidade, os objetos mais misteriosos do universo, capazes de deformar o espaço-tempo, com uma força gravitacional tão gigantesca à qual nem a luz escapa. Buracos negros supermassivos podem ser encontrados no coração das galáxias, como é também o caso do colossal Sagitario A, na Via Láctea.

O legado de Einstein

Esta quarta-feira teria sido também um grande dia para Albert Einstein. A sua teoria da relatividade geral - por esta altura já com 104 anos - foi confirmada. E a tarefa (não) era simples: ver um gigantesco buraco negro pela primeira vez na história. E muito se especulava sobre a possibilidade de podermos encontrar o enorme aspirador galático que se esconde no centro da Via Láctea. Os cientistas, que já o haviam batizado com o nome Sagitário A, mesmo antes de observado, chamavam-lhe informalmente de “monstro celeste”. Deste ainda não há retrato, mas existem bons indicadores. “Também temos resultados de Sagitário A, mas são mais difíceis de processar. Estamos a trabalhar neles e esperamos poder apresentá-los em breve”, disse Sheperd Doeleman, diretor do EHT.

Esta operação reuniu esforços de todo o mundo, com mais de 200 pessoas envolvidas, espalhadas por cidades como Bruxelas, Washington, Santiago, Xangai, Taipei e Tóquio. O dia 10 de abril de 2019 torna-se assim histórico para a ciência. E em especial um dia histórico para a astrofísica e para os seus cientistas. E claro, para Einstein.

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