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Inspirados pela jovem Greta, estudantes portugueses vão faltar às aulas em nome do clima

Alunos de várias cidades do país vão parar no dia 15 de março, numa greve global convocada pelo movimento estudantil internacional “SchoolStrike4Climate”

EPA

Estudantes portugueses vão faltar às aulas a 15 de março, em várias cidades do país, no âmbito de uma greve global convocada pelo movimento estudantil internacional “SchoolStrike4Climate”, inspirado no trabalho de Greta Thunberg pela justiça climática (se não a conhece, leia parte do que a jovem de 16 anos disse recentemente em Bruxelas). “O nosso objetivo é sensibilizar os estudantes, mostrar o que está errado, apresentar soluções e incentivar as pessoas a levar estas questões ao Governo, que tem um papel essencial nisto tudo”, disse Bárbara Pereira, aluna no Colégio Internato dos Carvalho e representante do movimento no Porto, em conversa com a Lusa.

Sofia Silva, estudante na escola secundária Almeida Garrett, disse que se “no verão passado Marcelo Rebelo de Sousa tivesse ido nadar à ribeira da Sertã, altamente poluída, como em tempos fez no Tejo, se calhar já não havia plástico a circular nos rios em Portugal” e Rita Vasconcelos, outra aluna, completa dizendo que“o Presidente não tem poder direto sobre os atos legislativos que saem na Assembleia da República, mas deve pressionar para que se faça alguma coisa.”

Independentemente do sucesso desta primeira greve, Rita Vasconcelos, aluna da Faculdade de direito da Universidade de Coimbra, afirma que os estudantes "não vão parar de reclamar o direito por aquilo que é um planeta sadio". Estes alunos não conseguem prever quantas pessoas vão sair de casa para se manifestar em todo o país no dia 15, mas mostram-se otimistas.

O ministro do Ambiente e da Transição Energética afirmou, em declarações à Lusa, que a greve estudantil “alinha absolutamente com o discurso e a prática deste governo.” “Eu não vejo razão mais justa do que esta para uma mobilização estudantil. As alterações climáticas não são um problema da geração futura, mas desta geração. Sinto ser da maior relevância que os estudantes se mobilizem, se consciencializem, e que queiram criar um compromisso com eles e com a sociedade”, disse João Pedro Matos Fernandes.

Também contactado pela Lusa, o presidente do Conselho nacional do ambiente e do Desenvolvimento sustentável, Filipe Duarte Santos, explica que entre as mudanças urgentes para o cumprimento do acordo está “uma transição energética” mundial que liberte as pessoas de “consumir tantos combustíveis fósseis”, para que “não se ultrapasse um aquecimento global de dois graus celsius”. O incumprimento do acordo “não é uma boa notícia para as pessoas mais novas que estiverem no planeta a partir de 2050, 2070”, acrescentou.

Em Portugal estão confirmadas greves às 10h30, no dia 15, em mais de vinte cidades de norte a sul do Continente e nas ilhas, incluindo Lisboa, Coimbra, Faro e Porto. Preveem-se mais de 700 protestos no mundo, em mais de 70 países.

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