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Esferovite é dos plásticos mais difíceis de recolher no mar. Projeto europeu procura alternativas

A recolha do material “é um inferno completo”, destaca-se, na sequência da apresentação de um projeto europeu que quer reduzir o seu impacto no lixo marinho

Caleb Lucas / Unsplash

O poliestireno expandido, mais conhecido como esferovite, é um dos resíduos plásticos de recolha mais difícil, destaca um projeto europeu apresentado em Lisboa, que quer criar alternativas e reduzir o seu impacto no lixo marinho.

“A sua recolha é um inferno completo”, afirmou hoje a responsável da Direção-Geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos na aplicação do projeto Oceanwise em Portugal, Sandra Moutinho, destacando em declarações à agência Lusa que, apesar de não ser o plástico mais frequentemente encontrado no lixo marinho e ser totalmente reciclável, o que o torna versátil, mas também mais pernicioso. Pelo seu comportamento, “são diferentes de outros plásticos, têm características interessantíssimas para o utilizador da indústria, por serem tão leves e versáteis”, compostos por 95% de ar.

Tornam-se um problema quando vão parar ao mar, com “mais dificuldades na sua recolha, porque são leves, voam, espalham-se, dispersam-se, partem-se e, ao fragmentarem-se em pequenos pedaços, os animais marinhos confundem-nos” e podem comê-los.

O projeto Oceanwise é partilhado por Portugal, Espanha, França, Irlanda e Reino Unido e visa reduzir a quantidade de poliestirenos expandidos que poluem o mar no Atlântico nordeste, prevendo até ao fim do ano vários encontros com organizações do setor ambiental e da indústria que usa poliestireno para propor alternativas e “ouvir todos” para no fim “propor atualizações das políticas públicas e novas boas práticas adotáveis pela indústria”, já em 2020.

“Como não está no cenário da nossa vida próxima acabar de todo com os plásticos, precisamos de procurar soluções”, defendeu.
Além das caixas utilizadas na indústria da pesca, os materiais com poliestireno que mais poluem os mares vêm de estruturas portuárias ou das embalagens para eletrodomésticos que os fabricantes usam e que os consumidores deitam fora.

“Não estamos aqui para diabolizar o poliestireno, a nossa preocupação é que não chegue ao mar” e se criem “alternativas economicamente viáveis”, declarou.

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