Perfil

Vida Extra

Os políticos invadiram os media portugueses e este é o retrato dessa realidade

Há uma originalidade portuguesa que leva a que 95 políticos tenham lugar cativo na rádio, televisão e imprensa

A maior bancada parlamentar portuguesa não seria suficiente para sentar os políticos que, em permanência, têm direito a espaço próprio nos órgãos de comunicação social portugueses. O Expresso contactou todos os diretores de jornais, revistas, televisões, rádios e sites de informação para chegar à conclusão de que há 95 políticos com tempo de emissão ou espaço de escrita garantidos nos media nacionais. A esmagadora maioria marca presença todas as semanas. Alguns mais do que uma vez e em vários media em simultâneo. Para se ter uma ideia do peso que têm, basta pensar que os sociais-democratas ocupam 89 lugares no Parlamento. Os socialistas 86. Mas a tribuna que os órgãos de comunicação social distribui — e paga — a estes políticos é maior. E atinge muito mais eleitorado, perdão, público do que alguma vez o Palácio de São Bento lhes poderia dar.

O leque é muito vasto e inclui dirigentes partidários, deputados, ex-governantes ou os chamados senadores do regime. O critério para a seleção desta lista foi estabelecido por cada diretor, que indicou ao Expresso aquele que considera ser o leque de políticos chamado a preencher alguns dos espaços mais nobres de cada órgão de comunicação social. Da imprensa à televisão, passando pelas novas plataformas online ou pela rádio, o modelo repete-se. Todos acham “relevante” ceder espaço ou tempo de antena para dar voz aos políticos, aos quais não colocam “quaisquer limites” quanto ao tema a abordar e ainda menos sobre o ângulo de análise. A liberdade é total. O espaço é entregue livre de encargos ao colaborador político.

E, por falar em encargos, é certo que estas presenças têm custos — não apenas sobre a informação prestada, que dificilmente se consegue medir, mas porque há um valor pago pelo serviço prestado. Curiosamente, todos os responsáveis dos media portugueses se reservaram o direito de não revelar quanto pagam pela colaboração dos políticos. “O valor é sigiloso”, é “um assunto sobre o qual não nos pronunciamos publicamente”, ou “os números não são divulgados, tal como o Expresso não divulga como remunera os seus colunistas”, são alguns dos exemplos de respostas que recebemos. Na verdade, o próprio diretor do Expresso não revelou quanto paga aos 11 colaboradores políticos permanentes do jornal em papel ou das suas versões digitais. Todos se refugiam no segredo dos contratos estabelecidos, que lhes permitiram garantir a sua ‘equipa’ própria e permanente de comentadores políticos.

Para ler o artigo na íntegra clique AQUI.