18h00 23 fev 19
Na manhã do dia 4 de fevereiro, numa das suas regulares atividades de recolha de lixo marítimo, Miguel Lacerda encontrou um copo de plástico maciço com tampa na zona do Abano, Cascais. Grande, cor-de-rosa, com letras brancas estampadas: “Ana Maria Island Beach Cafe.” Um bar de praia no litoral Oeste da Florida, bem no interior do Golfo do México. Até encalhar nas pedras da costa portuguesa, este “objeto flutuante bem identificado” teve de descer ao longo da península do sul dos EUA, entrar na corrente do Golfo, subir pela costa oriental da América, rodar para Leste e depois descer rumo a Sul. À volta de 4000 milhas náuticas, cerca de 7400 quilómetros, no mínimo uns seis meses de viagem. Tirando uma ou outra arranhadela e as criaturas que pelo caminho a ele se agarraram, estava impecável. O plástico desafia o tempo.
Miguel contactou o bar da Florida e já combinou devolver o copo, na condição de que fique em exibição, em jeito de alerta para o problema da poluição dos mares. Um copo semelhante, mas azul, tinha sido encontrado nos Açores a 18 de dezembro. São apenas dois dos milhares de milhões de objetos em plástico que sufocam os oceanos da Terra, mas a diferença é que estes podem ser identificados, contam uma história. E são estas histórias que Miguel procura desvendar, para denunciar a gravidade de um problema a que o mundo não prestou atenção durante décadas.
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