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O “chocolate da obrigação”: uma tradição que as japonesas querem banir

No dia de São Valentim é esperado que elas comprem chocolates para eles. E eles não são apenas os namorados ou maridos, são também os colegas de trabalho

TORU YAMANAKA/ Getty Images

Ainda antes de chegar ao trabalho de manhã, param numa loja e compram chocolates. Elas fazem-no todos os anos no dia de São Valentim, a 14 de Fevereiro. Os destinatários? Os colegas de trabalho do sexo masculino. No Japão, esta tradição chama-se “giri choco”, que traduzido à letra será algo como “chocolate da obrigação”. Mas a tradição não é do agrado delas e, por isso, querem acabar com o dever que lhes é imposto.

Um estudo recente, citado pelo “Japan Today”, mostra que neste São Valentim 60% das japonesas vão comprar chocolates para si, enquanto mais de 56% admite fazê-lo para oferecer a familiares e outras 36% dizem que vão comprar para dar aos namorados. Só 35% pensam comprar chocolates para os colegas de trabalho.

Se até agora, existia esta cultura de obrigação, nos últimos anos, relata o jornal britânico “The Guardian”, algumas empresas começaram a banir a prática, sobretudo porque esta começa a ser considerada uma forma de assédio ou de abuso de poder.

“Antes da proibição, tínhamos de nos preocupar com quanto seria o valor apropriado gasto em cada chocolate e definir a quem devíamos ou não oferecer chocolates, por isso é bom que acabe esta cultura da obrigação de oferecer”, explicava uma das mulheres que participou no inquérito.

A 14 de março, no dia Branco, o fenómeno inverte-se. Ou melhor, a obrigação: são eles que lhes oferecem a elas chocolates. E uma vez mais a tradição é questionada.

Segundo o jornal “The Guardian” a tradição de oferecer chocolates no Japão começou por volta dos anos 50 da década passada e rapidamente se enraizou. A indústria chocolateira é que fica a ganhar com este hábito, não parou de crescer e tornou-se num negócio milionário.

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