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O “Tinder da cultura” chegou a França

O projeto vai criar um passe cultural de 500 euros para quem cumpre 18 anos e estará em testes nos próximos seis meses. O algoritmo vai funcionar de maneira inversa ao que estamos habituados

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Em novembro de 2015, o primeiro-ministro italiano anunciou ao país que “por cada euro destinado à segurança deve investir-se um euro mais na cultura”. O plano de Matteo Renzi idealizava um passe cultural de 500 euros para aqueles que cumpriam os 18 anos. A França vai seguir o exemplo do país vizinho.

Era uma promessa eleitoral de Emmanuel Macron. A partir desta semana, aqueles que cumprem 18 anos passam a beneficiar de um crédito de 500 euros para gastar em eventos, livros, DVDs, assinaturas, aulas ou serviços culturais, conta o diário “El País” - os bens materiais estão limitados a €200. Este projeto, no qual participam 13 mil voluntários, estará em teste durante os próximos seis meses e funciona através de uma app de telefone ou tablet.

“Às vezes, brincamos a dizer que é um Tinder da cultura”, dizia em junho Éric Garandeau, o responsável pelo projeto. E a lógica da app até será inversa ao que estamos habituados. Se normalmente as redes sociais nos empurram para o que gostamos, identificamos ou interagimos mais, esta aplicação desenvolvida pelo Ministério da Cultura francês vai propor serviços e eventos em função da localização e que nada têm a ver com as escolhas habituais dos utilizadores.

“As grandes plataformas digitais arriscam-se a manterem as escolhas dos utilizadores como uma reprodução mecânica”, explicava o documento que apresentava o projeto. "O passe cultural tem a ambição de construir um modelo contrário, que acompanhe os utilizadores numa ampliação das suas preferências e gostos.”

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