Perfil

Vida Extra

Todos somos dados. E estamos presos no algoritmo

Que as grandes empresas tecnológicas recolhem e partilham com terceiros a informação dos seus utilizadores não é novidade. Mas quando o Estado acede a esses dados então a democracia pode estar em risco. E entramos num mundo novo, pouco admirável, como o que já se vive na China

David Samuels / Wired

D.R.

Um amigo meu, que gere uma grande empresa de produção televisiva em Los Angeles, uma cidade louca por carros, reparou recentemente que a sua estagiária, uma aspirante a cineasta da República Popular da China, ia a pé para o trabalho. Quando se ofereceu para lhe arranjar uma forma mais rápida de transporte, ela recusou. Ele perguntou-lhe porquê e ela explicou que “precisava dos passos” no seu Fitbit para aceder às suas contas das redes sociais. Se ficasse abaixo de um certo número de passos, isso reduziria o seu rating de saúde e boa forma, que faz parte do seu crédito social, o qual é monitorizado pelo Governo. Um crédito social baixo poderia impedi-la de trabalhar ou viajar no estrangeiro.

O sistema de crédito social chinês, anunciado pelo Partido Comunista em 2014, será em breve um facto da vida para muito mais chineses. Em 2020, se o plano do Partido se mantiver, cada passo, cada pulso numa tecla, cada ‘gosto’ ou ‘não gosto’, cada contacto ou post nas redes sociais que o Estado monitorize afetará o crédito social de uma pessoa.

Pontos de “solvência” e “fiabilidade” pessoal serão usados para recompensar e punir indivíduos, concedendo-lhes ou negando-lhes acesso a serviços públicos como assistência de saúde, viagens e empregos, segundo o plano publicado o ano passado pelo governo municipal de Pequim. Indivíduos com classificação elevada ficarão num “canal verde” que lhes dará acesso mais fácil a oportunidades sociais, enquanto os que praticam ações desaprovadas pelo Estado ficam “impossibilitados de dar um passo”.

Para ler o artigo na íntegra, clique AQUI.

Siga Vida Extra no Facebook e no Instagram.

A carregar...