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O preso mais rico do mundo

Instalado há oito meses em Portugal, Calouste Gulbenkian foi detido pela polícia política de Salazar em dezembro de 1942. Um episódio que o próprio manteve em segredo e que a ditadura apagou de todos os seus arquivos

Calouste Gulbenkian aos 10 anos

D.R.

Calouste Gulbenkian foi um dos muitos milhares de refugiados que se acolheram em Lisboa durante a Segunda Guerra Mundial. Chegado em abril de 1942, com o estatuto de diplomata do Irão, era já então um dos homens mais ricos do mundo. Hospedado no Hotel Aviz, o melhor de Lisboa, onde tinha à sua conta cinco quartos, foi preso ao fim da tarde de 17 de dezembro de 1942 pela PVDE, a temida polícia política de Salazar, e levado para uma das cadeias de Lisboa. Um episódio de que, estranhamente, não há registo nos vários arquivos da ditadura e que agora foi revelado a partir da documentação da Fundação Calouste Gulbenkian.

Com a ocupação do norte de França pela Alemanha de Hitler e a formação de um regime colaboracionista presidido pelo marechal Pétain, o Governo gaulês mudou-se para Vichy, uma cidade ao sul de Paris, na chamada Zona Livre. Para Vichy transferiu-se toda a comunidade diplomática que reconheceu o regime de Pétain, entre os quais se contavam países como Portugal e o Irão. De ascendência arménia, nascido em Istambul, cidadão britânico e residente em França, Calouste Sarkis Gulbenkian possuía o estatuto de conselheiro económico da embaixada do Irão em Paris. Chegado a Vichy a 15 de julho de 1942, hospedou-se, juntamente com a mulher, Nevarte Essayan, no Hotel du Parc et Majestic. No mesmo hotel instalara-se o secretário da embaixada de Portugal Manuel Nunes da Silva, que, segundo o seu colega José Calvet de Magalhães (no livro de memórias “Diplomacia Doce e Amarga”, Editorial Bizâncio, 2002), “criou uma certa intimidade com o famoso milionário”. Entretanto, a guerra estendera-se ao Irão, invadido por uma força anglo-soviética. Formado um novo regime favorável aos Aliados, liderado pelo xá Mohammad Reza, o Irão rompeu as relações diplomáticas com a França de Pétain. Nada mais tendo a fazer em Vichy, Gulbenkian decidiu abandonar a França em guerra e, após várias hesitações, refugiou-se em Portugal. Segundo o biógrafo Jonathan Conlin, o seu desejo era, a partir de Lisboa, demandar Nova Iorque, para o que obtivera autorização das autoridades britânicas.

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