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“A enfermeira corou quando me contou”. Confissões do homem que inventou o Viagra

Foi descoberto por acaso, considerado uma “blasfémia” pela Igreja Católica e fonte inesgotável de anedotas mesmo dentro da farmacêutica que o criou. E foi também uma revolução

David Brown não sabia como o acaso lhe mudaria a vida quando, em 1989, liderou uma equipa científica no laboratório da Pfizer, em Sandwich (essa mesma, que dá nome à iguaria), em Inglaterra. Os investigadores procuravam encontrar formas de curar a angina, mas o que se seguiria estava muito para lá da imaginação de cada um deles.

A história completa vem contada na revista do Expresso deste sábado, 9 de fevereiro, que percorre os 30 anos de vida do famoso comprimido azul, que mudou a vida a milhares de homens. E de casais. O Vida Extra abre aqui uma pequena porta, contando-lhe três confissões de David Brown, o homem por trás de uma invenção única, que ocorreu por acaso.

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1. Mulher corada

O momento não estava livre de constrangimentos. David Brown andava empenhado em encontrar a cura para a angina, e aparecia afinal com uma outra descoberta.

A equipa que liderava sintetizou um composto conhecido como citrato de sildenafil (que é o princípio ativo do Viagra), capaz de promover a dilatação dos vasos sanguíneos para melhorar a circulação do sangue. Os resultados, porém, não foram os esperados e Brown recebeu um ultimato. O projeto para a cura da angina tinha de apresentar resultados, o que viria a acontecer em 1993. Mas não da forma esperada.

Os ex-mineiros que se voluntariaram para um ensaio clínico no País de Gales ficaram numa unidade clínica durante a noite. No dia seguinte, uma enfermeira perguntou-lhes: 'Têm alguma coisa a relatar?' Um dos homens respondeu: 'Tive mais ereções do que é normal.’ “Depois, os outros disseram o mesmo”, conta Brown ao Expresso, recordando como a mulher corou quando, no dia seguinte, lhe relatou o ocorrido.

2. Ninguém queria ficar sem aquele 'milagre'

Depois de um teste clínico, a ideia é que os fármacos sejam devolvidos. Há questões de segurança a ter em conta, assim como dúvidas sobre a eficácia e as contraindicações que o medicamento poderá vir a ter. Depois de David Brown ter conseguido financiamento para avançar com a investigação, começaram novos ensaios clínicos ao Viagra, desta vez em Bristol, liderados por Michael Allen — mas sempre acompanhados por Brown. Seguiram-se países como França, Noruega e Suécia.

Era um estudo “muito inovador”, que usava uma ferramenta para medir as ereções durante a noite e filmes pornográficos. A maioria dos voluntários mostrou uma “muito boa resposta” ao medicamento — alguns reportaram não apenas ter tido uma ereção, mas uma que durava quatro horas. Quando, como parte do estudo, levaram comprimidos para casa durante uma semana para registar as melhorias nas suas vidas sexuais, houve quem não quisesse devolver os que sobraram. “Houve um que me escreveu a dizer que era a primeira vez em 25 anos que tinha uma boa vida sexual com a mulher”, relembra Brown.

3. Uma dúvida e uma certeza

É da praxe. Ou antes “uma velha tradição entre os cientistas que desenvolvem fármacos”. Qualquer um que o faça tem de o experimentar. Com David Brown não foi diferente. O Viagra “é certamente muito eficaz a provocar uma ereção natural”, que ocorre cerca de meia hora após a toma do comprimido. “E é incrivelmente seguro, embora naqueles dias ainda não tivéssemos essa certeza. Percebemos logo que iria fazer uma grande diferença na vida sexual dos homens e das suas companheiras à medida que envelhecem.”

Este sábado, não se esqueça, com a revista do Expresso: Viagra — Firme e Hirto.

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