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Eles nunca esquecem uma cara

Um grupo de elite da Scotland Yard é formado por homens e mulheres que conseguem memorizar, sem grande esforço, as feições de milhares de pessoas. Graças ao talento excecional destes super recognisers, os criminosos são identificados mesmo quando as imagens de CCTV são tremidas e desfocadas

Paulo Anunciação

Paulo Anunciação

Correspondente em Londres

Josh Daves é professor de Psicologia na Universidade de Greenwich e um dos investigadores que mais tempo dedicou ao assunto, no mundo

D.R.

No dia 28 de agosto de 2014, os pais de Alice Gross comunicaram à polícia o desaparecimento da filha mais nova. Alice era uma adolescente de 14 anos que vivia com a família em Hanwell, um bairro na zona ocidental de Londres. Saíra de casa logo depois do almoço e nunca mais voltou. As fotografias de Alice, com os seus enormes olhos azuis, sorriso doce de menina e gancho cor de laranja a segurar o cabelo, encheram as páginas dos tabloides e os noticiários da televisão. As buscas arrastaram-se ao longo das últimas semanas do verão. A Metropolitan Police, a força responsável pelo policiamento da zona da Grande Londres, destacou cerca de seis centenas de agentes que calcorrearam uma área de quase 30 quilómetros quadrados. Passaram a pente fino cinco quilómetros de rios, ribeiros e canais e — pormenor fulcral em toda esta história — analisaram centenas de horas de imagens captadas por 300 câmaras de circuito fechado de televisão (CCTV). Foi o maior destacamento policial desde os atentados terroristas de Londres em julho de 2005.

O cadáver de Alice Gross foi finalmente encontrado debaixo de uns troncos no leito do rio Brent, um pequeno afluente do Tamisa, no dia 30 de setembro. Por essa altura, a polícia já tinha praticamente a certeza sobre quem fora o homicida (e agressor sexual): Arnis Zalkalns, um pedreiro que residia na área e tinha cadastro criminal (passara sete anos numa prisão da Letónia, o país de onde era natural, pelo assassínio da ex-mulher). No início de setembro, Zalkalns fora sujeito a um interrogatório prévio pela polícia mas depois desapareceu sem deixar rasto. No dia 4 de outubro de 2014, por fim, um cadáver em avançado estado de decomposição foi encontrado numa zona pouco acessível de uma mata local. Dois dias mais tarde a Metropolitan Police confirmou que se tratava do corpo de Arnis Zalkalns. Ele tinha-se enforcado.

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