Perfil

Vida Extra

Adeus, carro próprio. O futuro nas cidades é partilhado e com vários veículos

Há ir e há voltar. E esta é a forma de o fazer sem o carro próprio usar. Mapa de alternativas para circular pela cidade

Há quem leve o carro para todo o lado e em qualquer circunstância. Mas há opções que permitem utilizar o transporte individual de uma forma mais racional, deixando a utilização do carro para quando é mesmo necessário. De Lisboa ao Porto há alternativas mais baratas, ecológicas e até saudáveis. Tudo em prol de uma maior consciência ambiental.

O carsharing é um modelo de aluguer de veículos no qual o cliente aluga o carro por um número determinado de horas, sem intervenção de terceiros. O objetivo é reduzir o uso excessivo do carro e a emissão de dióxido de carbono. Em Lisboa, um dos exemplos é a DriveNow. Fundada em 2011, é uma app de partilha de carros do grupo BMW, em regime de franchising pela Brisa. Disponível em 12 cidades europeias, com uma frota de 6510 veículos e um milhão de clientes, a empresa tem 211 carros em Lisboa. João Oliveira, da DriveNow, diz que a expansão do serviço para outras cidades do país “apenas fará sentido quando a operação estiver consolidada em Lisboa”.

Os dados referentes a 2018 mostram que o serviço tem vindo a crescer na capital nos últimos 15 meses. “Quando arrancámos a operação há pouco mais de um ano, já tínhamos mais de sete mil registos feitos. No ano passado, ultrapassámos o objetivo em cerca de 20% a meta traçada para o primeiro ano de atividade da operação na cidade, atingindo mais de 33 mil clientes registados.”

A maioria das reservas pertence a portugueses e, de acordo com a empresa, por cada viatura em carsharing há pelo menos três carros particulares que deixam de circular na cidade. A área de operação da empresa estende-se desde a estação de comboios de Algés até ao Parque das Nações, passando pela Segunda Circular, pelo Lumiar e pelo Aeroporto de Lisboa, a que se junta a área empresarial do Lagoas Park, em Oeiras. As reservas têm um período máximo de 8 horas e os clientes podem deixar ou apanhar o carro em qualquer local dentro da área de operações. “Não se se preocupam com seguro, combustível ou parqueamento, com toda a facilidade de uma app.” Todos os veículos estão disponíveis 24h por dia e os valores a pagar vão desde os 29 cêntimos por minuto aos 31 cêntimos, dependendo do carro.

A emov é outro exemplo de carsharing que disponibiliza uma frota composta por veículos elétricos. O serviço existe apenas em Madrid e Lisboa, disponibilizando em Portugal 150 viaturas. A aplicação permite reservar a viatura com 20 minutos de antecedência. De acordo com a informação disponível no site da plataforma, a Câmara Municipal de Lisboa lançou 21 novas zonas de estacionamento criadas para carsharing, sem custos adicionais. Em relação aos preços, a emov apresenta três packs de minutos pré-pagos: a começar nos 18 cêntimos por minuto. Se preferir uma tarifa diária, o custo é 21 cêntimos por minuto.

Para todo o país, Portugal continental e ilhas, existe a plataforma online bookingdrive.com, que disponibiliza três tipos de serviço: carro, motociclos e caravana. Esta plataforma liga proprietários de carros a condutores que os pretendam alugar. “Os proprietários podem obter um rendimento extra da sua viatura quando não é utilizada e os condutores conseguem alugar uma viatura a baixo custo e com um valor de caução reduzido”, refere Jorge Forte, fundador da plataforma, ao Expresso.

Dos três tipos de serviço que disponibiliza, adianta, “os carros têm maior adesão”. No lado contrário, estão os motociclos. Diferenças que também se notam da distribuição geográfica do serviço. “As regiões com maior número de reservas são as grandes cidades e zonas turísticas, nomeadamente, Lisboa, Porto, Faro, Ponta Delgada, Funchal.” Por outro lado, esclarece, as cidades do interior do país são as que menos reservas apresentam. A maioria dos alugueres é feito realizadas por cidadãos portugueses — “o que corresponde a cerca de 70% das reservas efetuadas”, salienta o Jorge Forte.

Deixemos os carros. É amante de scooters? Há uma alternativa complementar ao transporte público em Lisboa. Chama-se eCooltra, empresa especializada em scooter sharing. Este serviço tem uma frota de mais de 4500 scooters elétricas distribuídas por seis cidades europeias: Barcelona, Madrid, Valência, Roma, Milão e Lisboa. O serviço pode ser utilizado todos os dias, durante 24 horas. A eCooltra tem scooters elétricas das marcas Govecs e Askoll. São equivalentes a 50 cc e a sua velocidade máxima é de 48 km/h. O cliente pode conduzir onde quiser desde que seja permitida a circulação de scooters com 50 cc.

Na eCooltra, o cliente paga apenas os minutos que usa; não há taxas extra. Tem seguro incluído e o serviço disponibiliza ainda dois capacetes. No que refere aos preços, há três packs disponíveis. O primeiro, de 100 minutos, tem um custo de 0,23 cêntimos por minuto, totalizando 22,99 euros. Um segundo pack de 250 minutos é acrescido o valor de 0,21 cêntimos por minutos, que fica a 51,99 euros. O terceiro pack que o serviço oferece são 500 minutos a 0,19 cêntimos por minuto, num total de 94,99 euros. O preço por minuto sem pack é de 0,26 cêntimos por minuto.

UM PORTO DE ALTERNATIVAS

Um casal russo aventurou-se numa odisseia turística por Portugal e acabou por atracar no Porto, na Rua das Taipas, juntando-se a uma crescente vaga de estrangeiros, estabelecidos na cidade para fazer germinar um negócio próprio. Maria Kulagina e Alexey Mikhaylov chegaram com pedalada empreendedora para criar uma “mistura estranha”, que resultou na inovadora cafetaria Hungry Biker.

“Isto é um conceito do futuro”, descreve Alexey, relativamente a um espaço dedicado ao aluguer de bicicletas, mas que funciona também como coffee shop, onde a paixão dos dois proprietários por comida saudável é servida aos clientes através de deliciosos e nutritivos brunches, depois de descontraídas e triunfantes etapas à descoberta dos recantos da Invicta.

“O Porto está a crescer e tem muitas oportunidades de desenvolvimento”, salienta Maria Kulagina. Os preços de aluguer das naves a pedal variam mediante o período de tempo pretendido: €4/2h, €7/4h, €9/6h, €11/1 dia ou €20/2 dias. Quem anda por gosto também se cansa, e nada como repor energias com o “Brunch Royal” (€11,95), composto por ovos mexidos, bacon, salada com trigo sarraceno, abacate, bolo lêvedo dos Açores, iogurte e fruta sempre fresca.

Também para quem gosta de duas rodas, quer seja a pedal ou a motor, a Vieguini dá via verde para visitar a cidade através de um sistema de aluguer de bicicletas, scooters e voyager bikes, um negócio estacionado no número 7 da Rua Nova da Alfândega. As bicicletas podem ser utilizadas pelo período mínimo de uma hora, com um custo de €5, ou €12 para quem pretende um dia completo bem passado no selim. As scooters, de 50 cc ou 125 cc, assumem-se como opções aceleradas para quem pretende fintar as filas de trânsito a todo o gás. Os preços das motorizadas podem oscilar entre os €17 e os €45, no caso dos modelos de 50 cc, ou €20 e €59 para os equipamentos de 125 cc.

Se o conforto das quatro rodas permanece invencível na frente do pelotão das suas preferências, esta viagem pelos serviços de mobilidade partilhada leva-o a instalar-se ao volante de um automóvel disponibilizado na aplicação Parpe. Conhecida como “airbnb dos carros”, esta é uma solução onde todos ganham, proprietários e locatários, fazendo com que os veículos não fiquem na garagem a acumular pó.

A plataforma digital possibilita a rentabilização de automóveis parados e, para se registarem, os proprietários devem assegurar que as viaturas estão em bom estado, não têm mais de 15 anos e não ultrapassam os 200 mil quilómetros de rodagem. Os locatários, por sua vez, necessitam apenas de ter conta no Facebook, mais de 21 anos, cartão de crédito próprio e mais de dois anos de habilitação legal para conduzir. Os preços diários, semanais ou mensais são estipulados pelos proprietários.

Pare, olhe e escolha. É hora de arrancar.