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Os melhores auscultadores do mundo se quiser fugir do mundo que o rodeia

Os Sony WH-1000XM3 são o grande destaque da crónica “Futuro Extra”, sempre à sexta-feira, pelo editor de novas tecnologias da SIC, Lourenço Medeiros

Não parece mas aquela superfície lisa ao meio é uma autêntica central de controlo

Foto: Luís Pinto

Esqueçam o nome: a Sony sempre teve este problema com os nome dos seus modelos em tudo, não há nada a fazer. Aquele M3 no fim quer dizer que é a terceira geração e implica um mundo de coisas que eu não entendo. O que importa é que o resultado está à vista, provavelmente os melhores auscultadores com cancelamento de ruído do mundo. Não levem esta declaração longe demais. Eu estou a falar de auscultadores com uma missão específica e, nessa, são mesmo muito bons.

O meu problema, dizem, é que até ouço bem. Num restaurante sou capaz de reproduzir a conversa de um casal a três mesas de distância, mesmo que essa conversa não me interesse nada. O meu problema, digo eu, é que tenho dificuldade de concentração. Ou seja, foco-me com demasiada facilidade na conversa do casal que não me interessa para nada. Irrita-me a conversa telefónica sobre o esparregado congelado a três filas da minha secretária. Quero escrever para o Vida Extra e estou a ouvir uma discussão ética sobre a forma como se deve falar da atuação policial em televisão. Tudo isto desaparece se conseguir concentrar-me em música de que goste e naquilo que estou a fazer. Sempre fiz isso em todas as redações porque passei. Precisamente porque ouço bem, detesto ouvir música demasiado alto, magoa-me, dá-me cabo dos nervos.

Então como conseguir esse equilíbrio? Essa bolha saudável, que me permita a concentração sem me rebentar com os tímpanos?

É o mesmo problema de todos os sistemas de cancelamento de ruído. Se ouvirmos música demasiado alto, claro que deixamos de ouvir o resto, eventualmente deixamos de ouvir de forma permanente. Isto é especialmente relevante em viagens de avião, o grande mercado dos auscultadores de cancelamento de ruído. Se funcionassem apenas pelo volume saíamos de lá todos surdos. Os sistemas de cancelamento de ruído funcionam basicamente produzindo ondas que contrariam as ondas dominantes no exterior. No caso do avião, contrariam o barulho constante dos motores e do ar condicionado, por isso temos aquela sensação estranha de que ficamos surdos apenas parcialmente. Chega a ser incómodo.

A minha primeira experiência com este tipo de tecnologia foi numa loja de Nova Iorque há uns bons anos, ainda eu andava com CD's para ouvir. O vendedor diligente mostrava a tecnologia, tentava vender, e parecia interessante, até que eu fiz o que devia fazer. Pedi para ouvir com um disco meu, que conhecia bem, não com a amostra que ele usava para vender. Quando viu um “Requiem”, de Mozart, na minha mão, fez uma expressão que me disse que ele soube naquele instante que não me ia vender nada, mesmo antes de eu fazer o teste final. E assim foi. De vez em quando, testei de novo com modelos mais recentes, mas o problema manteve-se sempre. O corte nas frequências era de tal forma que nunca acreditei nos sistemas de cancelamento de ruído e nunca comprei nenhum.

A descoberta

Até que o Sérgio Magno, da Exame Informática, por mero acaso me disse numa das nossas viagens em comum: “já ouviste isto?” Isto eram uns Sony WH-1000XM3, a última geração dos auscultadores premium com cancelamento de ruído da marca. Restaurou a minha crença na tecnologia em causa. Quando cheguei a Lisboa, pedi para testar uns. Chegámos a um ponto em que vale a pena. Ou seja, consigo estar mesmo horas a fio a trabalhar, concentrado a ouvir música com qualidade.

Infelizmente neste período não fiz uma viagem para lhes poder contar a experiência no avião mas a acreditar no que li, e somando a experiência em terra, estamos perante o melhor compromisso que existe entre qualidade musical e cancelamento de ruído verdadeiramente eficaz. É o melhor para ouvir música e isolarmo-nos do ruído ambiente. Se quiser a melhor qualidade do mundo para ouvir música consegue melhor, mas tem que estar numa sala sem barulho e com ótimas condições acústicas, é outro campeonato. Comparando com o que usamos por aí habitualmente, estes Sony batem a larga maioria, com ou sem cancelamento de ruído. Depois têm todos os requintes. Equalizador próprio, reagem até à pressão atmosférica (não testei) e reagem à nossa atividade. Esta última necessita de explicação. Se eu estiver sentado a escrever, como neste momento, tenho o cancelamento de ruído no máximo, se me levantar e começar a andar, automaticamente o cancelamento de ruído passa para um nível mais baixo para que eu esteja mais consciente do que me rodeia.

Funções não faltam a estes Sony WH-1000XM3. Também tinha que ser, com um nome assim

Funções não faltam a estes Sony WH-1000XM3. Também tinha que ser, com um nome assim

Faz sentido mas tudo isto é configurável. Como não há bela sem senão, às vezes leva demasiado tempo a perceber se me levanto ou sento, outras vezes estou muito bem a escrever e, sem que entenda porquê, aumenta o grau de perceção do exterior. É chato, mas quero acreditar que podem melhorar nos próximos upgrades de software, porque estes auscultadores também são atualizáveis.

Há até uma coisa que impressiona sempre: se colocarmos a palma da mão sobre o auscultador direito, ouvimos o ambiente através dos microfones dos auscultadores. Serve para darmos atenção momentaneamente a alguém que fala connosco. Sim, eu disse os microfones dos auscultadores, eles estão lá porque são necessários para analisar o ruído que nos rodeia, mas também porque até pode atender chamadas com estes Sony, se bem que não seja a sua melhor função. Mudar de faixa, pausa e volume podem ser regulados com simples toques na superfície dos auscultadores. Funcionam com o Google Assistant e com Amazon Alexa, o que quer dizer que até podem ler recados e responder às nossas dúvidas existenciais, mas nem vou por aí. São muito leves e as baterias duram mesmo muito. Voos transatlânticos, de certeza, como não estou a fazer o tal voo de teste que se impunha, estou a usar intensamente há vários dias sem os carregar deliberadamente e estou sinceramente impressionado com a duração da bateria.

São caros? Sim. Pelo menos custam muito dinheiro. Na casa dos 380€, quem sou eu para pôr um preço no sossego de cada um… eu não vou fazer comparações com concorrentes que não testei, mas as críticas internacionais arrasam, são fáceis de encontrar por aí. A verdade é que é um mercado que está em franco crescimento, agora que podemos andar com toda a música do mundo connosco, e a marca sabe que há cada vez mais pessoas dispostas a pagar desde que lhes seja garantida esta qualidade.

O pior que encontrei foi estar sentado e concentrado e os auscultadores mudarem de vez em quando e quase aleatoriamente para um modo mais “atento” ao ambiente

O pior que encontrei foi estar sentado e concentrado e os auscultadores mudarem de vez em quando e quase aleatoriamente para um modo mais “atento” ao ambiente

Foto: Luís Pinto

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