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Vida Extra

A vida de uma migrante síria deu um jogo para smartphone. Consegue salvá-la?

"Bury Me, My Love" permite tomar decisões e acompanhar a jornada de Nour, uma adolescente de 19 anos, até chegar à Europa

D.R.

O rugido das bombas ecoa na cidade de Homs, onde com sangue e lágrimas é pintado um funesto quadro de devastação. É impossível compreender o medo real que preenche todo o corpo e transborda da alma de um refugiado, mas pode senti-lo virtualmente na ponta dos dedos. “Bury Me, My Love” permite imergir na viagem de Nour. Trata-se de uma migrante síria de 19 anos, forçada a deixar para trás a família, numa odisseia de incerteza pela frente, até conseguir chegar à Alemanha. Consigo tem apenas uma mochila às costas, carregando no pensamento o peso de um mundo de memórias em ruínas.

O jogo é inspirado em histórias reais de requerentes de asilo e tem vários finais diferentes. Tudo depende das escolhas do utilizador. “Enterra-me, meu amor”, assim se traduz para português uma expressão árabe utilizada em momentos de despedida, à superfície de um derradeiro beijo. Como aquele em que, a 20 de setembro de 2015, num cenário de guerra, Nour é obrigada a deixar para trás o marido Majd, que permanece na Síria para cuidar da mãe e do avô. Start!

Os riscos são muitos, a viagem é longa, e a narrativa desenrola-se através de um chat, em que a jovem dá conta de todas as dificuldades do sinuoso caminho até chegar à Europa. As mensagens são enviadas para o companheiro - controlado pelo utilizador -, com a responsabilidade de aconselhar e orientar Nour durante o fatídico percurso. O rumo é incerto e existem 19 desfechos possíveis, em função das opções tomadas. Não fique alheio e responda aos pedidos de ajuda.

“O jogador só pode controlar coisas que Majd diria a Nour”, explica Florent Maurin, o criador de “Bury Me, My Love”. “Não existe o poder de controlar tudo o que se passa e as decisões tomadas podem ter consequências imprevisíveis. É um jogo baseado na injustiça”, complementa o responsável pelo desenvolvimento.

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