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Fez resoluções de Ano novo e ainda não cumpriu nenhuma? Siga estes nove passos essenciais

É tempo de mudar de vida e concretizar as resoluções de Ano Novo. Não as deixe na gaveta até 2020

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Ano novo, renovados desafios, mas um vetusto e eterno problema: como concretizar as resoluções proclamadas, com o peito inflado de confiança, quando o relógio dá as dozes badaladas? As decisões tomadas na noite de réveillon podem ser as mais variadas e criativas, mais ou menos sóbrias, acompanhadas por uma dúzia de uvas passas com o sabor dos desejos de mudança. “Muda de vida, se tu não vives satisfeito. Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar”, aconselham os versos eternizados pela voz de António Variações.

Deixar de fumar, começar a fazer exercício físico, mudar de emprego, deixar de beber enquanto vai só mais um último copo de espumante, encontrar um novo amor (com possibilidades exponenciadas se a última taça de champanhe for aquela que ainda não conta mesmo a sério), ler mais, numa lista interminável a que se pode juntar a intenção de poupar, casar ou ter um filho - estas três últimas nem sempre são conciliáveis, mas não custa tentar. As possibilidades são múltiplas e todas estão ao seu alcance, basta “força de vontade”, frisa o psicólogo clínico Frank Ryan, autor do livro “Willpower for Dummies” (2014). “O nível de força de vontade flutua de acordo com a nossa motivação para cada situação. Toda a gente pode aprender a usar a força de vontade de forma mais eficaz”, afirma o especialista, em declarações ao The Guardian. Um brinde a isso! E, já agora, nove passos para a realização.

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1. Conheça-se melhor

“Algumas pessoas são mais impulsivas do que outras. Isso varia com a personalidade”, nota Frank Ryan, para quem se torna necessário que, cada pessoa, trace o perfil próprio de força de vontade. Indivíduos mais introvertidos têm maior tendência para se motivarem sozinhas, enquanto pessoas mais extrovertidas necessitam normalmente da aprovação de outros. “É necessário desenvolver habilidades essenciais para enfrentar desafios que ativam uma resposta na busca de uma recompensa”, acrescenta o psicólogo.

2. Elabore um plano

Um estudo publicado no “British Journal of Health Psychology” demonstra que 91% dos participantes que elaboraram um plano para atingir as metas pretendidas lograram os objetivos. “O planeamento é importante porque o cérebro constrói um guião. Isso aporta ordem e o sentimento de ter tudo controlado”, assevera a neurocientista Magdalena Bak-Maier. “Se não tivermos um mapa cognitivo, uma representação mental de como atingir determinado objetivo, então não há forma de sustentar esse propósito”, complementa.

3. Um objetivo de cada vez

Desista da ideia de mudar radicalmente vários aspetos da vida em simultâneo. Vá por etapas e não se foque em todas as resoluções de Ano Novo ao mesmo tempo, pois isso irá reduzir as chances de sucesso.

4. Enfrentar os medos

Contorne a ansiedade e afaste os pensamentos negativos. Faça. Sempre. Sem pensar no resultado final. “As pessoas que não se mexem rumo aos objetivos têm, muitas vezes, medo do que poderá acontecer quando atingirem essa meta”, nota a neurocientista Bak-Maier.

5. Gaste tempo e energia com sabedoria

A força de vontade não é um recurso infindável e não se deixe ficar com bateria fraca. Coloque as suas energias em modo poupança, focando-se apenas no estritamente necessário. Não desperdice o seu tempo com aspetos supérfluos que consomem demasiada disponibilidade mental.

6. Descubra a motivação

Um estudo do investigador Mark Muraven conclui que os participantes descobriram um autocontrolo extra para efetuar uma tarefa quando lhes foi dito que seriam pagos para tal. Até aqui nada de novo, aparentemente. Mas a mesma investigação demonstra que a motivação aumenta quando as pessoas tomam conhecimento de que o esforço pode beneficiar o bem-estar de outras, como por exemplo encontrar uma cura para uma doença. Tudo se resume a descobrir o seu “porquê”.

7. Conheça o seu futuro “eu”

A psicóloga da Universidade de Stanford, Kelly McGonigal, autora do livro “The Willpower Instinct”, acredita que uma das razões para o fracasso reside na incapacidade de as pessoas projetarem o seu futuro “eu”. Imagine algo como um encontro embaraçoso com um estranho. Isso ajuda a explicar, por exemplo, que economizar e apostar num plano poupança-reforma seja, para muitos jovens, algo equiparável a colocar o dinheiro nas mãos de alguém em quem não se confia. O futuro é um forasteiro e, por norma, temos medo do desconhecido. "As pessoas que se sentem próximas, carinhosas e similares às de seus futuros ‘eus’ são mais propensas a investir no bem-estar", realça McGonigal.

8. Aceite os contratempos

“Se você voltar a fumar todos os dias durante um mês, isso é uma recaída. Mas se fumar um cigarro ocasional, encare isso com uma experiência de aprendizagem”, recomenda Frank Ryan. Para o especialista, o fundamental é aprender com o erro, recentrar e evitar que uma próxima vez aconteça.

9. Não desanimar

“Não se culpe. Seja paciente quando tiver um contratempo. Recompense-se pelo esforço e não pelos resultados. Mudar hábitos e estabelecer novos é uma maratona motivacional, com inevitáveis derivas ao longo do percurso, remata o psicólogo Frank Ryan, para quem o sentimento de “culpa é o principal culpado”.

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