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As efémeras cascatas do sudoeste alentejano

É preciso que chova muito, num curto período de tempo, para ver estas falésias decoradas com surpreendentes quedas de água

Quem conhece as praias alentejanas, de São Torpes até Odeceixe, sabe que em muitas delas desaguam pequenas linhas de água.

O que poucos saberão é que, depois de uns dias de chuva intensa, algumas dessas linhas de água se transformam em ribeiros caudalosos que se despenham falésia abaixo, com estrondo, na forma de improváveis cascatas.

E eu também não sabia. Até ao dia em que resolvi fazer a etapa da Rota Vicentina que liga a Zambujeira do Mar a Odeceixe. Tinha chovido na véspera.

Corpo são, em… barriga cheia

Juntando o útil - fazer uma caminhada - ao agradável - comer muito bem - saí da Zambujeira por volta do meio dia, com a ideia de chegar ao restaurante da Azenha do Mar ao fim da tarde… para almoçar. É um dos meus restaurantes preferidos, com marisco e peixe fresquíssimos, a preços ótimos, mas que tem um senão terrível: não aceita reservas.

Nas duas últimas vezes em que quis almoçar, a lista de espera era tão grande que a empregada avisou-me logo: “Não acredito que tenha mesa para si antes das 5 ou 6 horas”. E, como às vezes burro velho ainda aprende, apontei a chegada para aquelas horas…

Corpo são, em… mente surpreendida

Mas se a excelente caldeirada no final do passeio me consolou, a caminhada não me deu menor gozo.

Pouco depois de sair da Zambujeira, ao aproximar-me da praia naturista de Alteirinhos , aguardava-me a primeira surpresa do dia: uma cascata, de mais de uma dezena de metros, embelezava o areal.

O passeio prometia.

O dia estava ideal. O céu não indiciava chuva, a temperatura era primaveril e a disposição estava em alta.

A próxima atração do percurso era a praia do Carvalhal mas ainda antes de a avistar, e depois de percorrer umas centenas de metros nas dunas mais afastadas do mar, eis que, ao reaproximar-me das falésias, me aparece uma segunda cascata. Nem queria acreditar. Será que até ao final ainda encontraria mais?

Encontrei pois. Mais três, com as últimas duas, uma logo a seguir à praia dos Machados e a outra na da praia da Amália, a serem as mais espetaculares.

Corpo são, em… visão nostálgica

O Castelo Velho, um espigão de rochas que entra mar adentro, alberga outra das singularidades desta costa alentejana, esta mais conhecida: cegonhas nidificam nos rochedos sobre o mar, indiferentes à fúria das ondas que parece que irão atingir os ninhos.

Para o fim fica a praia da (senhora dona) Amália, batizada em honra da fadista, que passou largas temporadas na casa que encima a falésia. A casa era sua e possui(a) um caminho privado até ao areal.

PRAIA DA SENHORA DONA AMÁLIA Se algum português houve que merecesse uma casa de praia como esta, a Amália foi um deles

PRAIA DA SENHORA DONA AMÁLIA Se algum português houve que merecesse uma casa de praia como esta, a Amália foi um deles

E uma vez ali é quase impossível não imaginar a senhora dona Amália, depois de alguns dias de muita chuva, a descer até à praia para apreciar a sua cascata (quase) particular.

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