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Vida Extra

Nem carne nem peixe: onde comer vegetariano

Lojas e restaurantes vegetarianos e vegans cresceram mais de 500% em apenas dez anos

Bife com batatas fritas? Bacalhau à lagareiro? Omelete de queijo? Aqui não, obrigado. Ir ao restaurante e pedir um bitoque pode estar a ficar fora de moda, ou pelo menos é isso que prevê a “The Economist”. A revista inglesa acredita que 2019 vai ser o ano em que os vegans deixam de ser “a minoria da minoria” e passam a ser a nova tendência.

Na vanguarda do movimento estão nomes bastante conhecidos, como o ex-membro dos The Beatles, Paul McCartney, que é vegan há mais de quatro décadas. A apresentadora Ellen DeGeneres, o cantor Stevie Wonder, o ator Peter Dinklage e o político Al Gore são outros exemplos de vegans famosos. A popularidade deste regime alimentar parece estar a crescer tanto que até Gordon Ramsay, famoso pelos comentários polémicos contra vegetarianos, já “deu uma hipótese” ao vegetarianismo. O chefe, que chegou a dizer que o seu “maior pesadelo” era que os filhos se tornassem vegetarianos, começou a servir pratos vegan nos seus restaurantes em 2018.

O 26 — Vegan Food Project fica no Chiado e tem francesinha vegetariana e bife de seitan

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Mas, afinal, qual é a diferença entre vegetariano e vegan? Ambos são regimes dentro do vegetarianismo, termo que incluiu todas as dietas que consistem essencialmente em produtos de origem vegetal e excluem a carne e o peixe. Os vegans vão mais longe e excluem da alimentação e da sua vida em geral todos os produtos de origem animal — como os ovos, laticínios, mel, gelatina. Deixam de usar, por exemplo, vestuário de lã, calçado de couro e cosméticos testados em animais. Os vegetarianos são os que apenas restringem estes produtos na alimentação. Existem ainda outros sub-regimes, como os ovolactovegetarianos (comem ovos, leite e mel), os ovovegetarianos (ovos e mel), os lactovegetarianos (leite e mel) e os frugívoros (comem apenas frutos e vegetais que ao serem colhidos não matem a planta).

Em Portugal, como no resto da Europa Ocidental e América do Norte, o vegetarianismo está a ganhar cada vez mais adeptos. Dados do Centro Vegetariano indicam que, em 2017, 120 mil portugueses assumiam-se como vegetarianos — quatro vezes mais do que em 2007. Já o número de vegans duplicou no mesmo período, correspondendo agora a 0,6 por cento da população.

Para acompanhar a procura, o mercado dos produtos vegetarianos explodiu. Entre 2008 e 2018, o número de lojas e restaurantes cresceu 514 por cento. Atualmente, há pelo menos 110 estabelecimentos vegetarianos e 62 vegans espalhados pelo país. A Associação Vegetariana Portuguesa destaca o caso das grandes superfícies comerciais, “onde há algumas décadas seria inconcebível encontrar a diversidade de produtos que existem hoje”.

O Moko Veggie Café dá cartas com a pastelaria e sobremesas vegetarianas

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Para uma alimentação vegetariana equilibrada deve comer-se “alimentos integrais de origem vegetal, como fruta, hortícolas, frutos gordos, sementes e cereais integrais”, explica Sandra Gomes Silva, nutricionista,vegetariana desde 2014 e autora do blogue “O Vegetariano”. Deve ter-se particular atenção à ingestão da “vitamina B12, D, ferro, cálcio e ómegas”, para os quais devemos procurar substitutos adequados. Se para uma primeira tentativa todas estas indicações lhe parecem muito complicadas ou se procura novas receitas, pode sempre optar por um restaurante.

Na zona do Porto, Essência é um dos restaurantes mais bem classificados, com 9.4 em dez no “The Fork” e 4.4 em cinco no “Zomato”. Localizado a cerca de 15 minutos a pé da rotunda da Boavista, o preço médio por refeição ronda os €22,5. Apesar do estacionamento fácil, o guia “Boa Cama Boa Mesa”, do Expresso, não recomenda o “ambiente sofisticado e acolhedor” para crianças.

Um pouco mais barato, Árvore do Mundo fica a dez minutos da estação de São Bento. Destacado pelo site “HappyCow” (uma espécie de “Zomato” do vegetarianismo) como o 33º restaurante vegan mais bem classificado no mundo, o local aceita animais, tem esplanada e livros e brinquedos para as crianças.

O Vegan’s Joe tem orgulho nos seus hambúrgueres vegan

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Também destacado pelo “HappyCow”, Vegana by Tentugal é o local ideal para refeições mais leves no centro histórico do Porto. A cinco minutos do Coliseu, este café, pastelaria e mercearia tem um menu diário e aceita animais de estimação.

Se está por Lisboa, pode experimentar esta dieta no PSI, um dos vegetarianos mais antigos da capital. Com 15 anos de vida, o restaurante está no meio do Jardim dos Sabores, que foi inaugurado pelo Dalai Lama. Com uma cascata e um lago com nenúfares, o local é ideal para levar os mais novos. O preço médio das refeições ronda os €14.

Já no centro histórico da capital encontra, na zona do Chiado, um dos restaurantes vegan mais bem classificados. Ao 26 — Vegan Food Project está em 27º lugar no ranking internacional de melhores restaurantes vegan do “HappyCow” — está classificado com 9.2 no “The Fork” e 4.8 no “Zomato”. Aqui pode contar gastar cerca de €15. Se, no entanto, procura pastelaria e sobremesas vegetarianas, pode encontrá-los junto ao metro dos Anjos, no Moko Veggie Café. Aqui também são servidos almoços, devendo gastar cerca de €15 para duas pessoas.

Fora das grandes cidades, pode experimentar o Café Galeria House of Wonders, em Cascais. Aqui uma refeição custa cerca de €20 e o destaque do “Boa Cama Boa Mesa” vai para a “vista panorâmica” e para as sobremesas vegan cruas. A sul, o Vegan’s Joe, em Loulé, é um restaurante 100 por cento vegan com menu para crianças e preços médios entre sete e dez euros. Pode ainda optar pelo daTerra, a primeira cadeia de franchise vegetariano em Portugal. Nos restaurantes espalhados pelo Grande Porto, Grande Lisboa, Viseu e Aveiro, pode contar com buffets diários a €7,5 para almoçar e €9,9 ao jantar e fim de semana. A empresa organiza ainda cursos de culinária para vegetarianos e vegans. Nunca foi tão fácil escapar à carne e ao peixe.