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Vida Extra

Há muito mais mulheres do que homens na Europa. E há diferenças na forma como eles vivem

Os números da monoparentalidade são também esmagadores no feminino

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A lógica de agregado familiar clássico, no sentido ‘bolsonárico’ do termo, é hoje uma espécie de quimera galopante na sombra das sociedades europeias, onde ainda assim prevalece a instituição do matrimónio, só superada pelos mecanismos da separação, o que, aliás, não se verifica em Portugal.

Madalena Queirós vive em Lisboa, tem 46 anos e uma filha de 11. Não se enquadra propriamente no protótipo de um casal que se separou, desagregando num agregado monoparental. “Não gosto do termo ‘mãe solteira’, prefiro família monoparental ou mãe independente. A denominação mãe solteira, infelizmente, ainda tem uma carga pejorativa. Hoje em dia, há cada vez mais mulheres na mesma situação, com condições para ser independentes, que dificilmente podem ser identificadas com o papel de vítimas, a que se associa muitas vezes a expressão de mãe solteira. No meu caso, foi uma opção. Quando engravidei já não estava a viver com o pai da minha filha e sempre senti que ter a minha filha era a única opção.” Sempre soube que não era tarefa fácil. “As dificuldades financeiras são o maior entrave, uma vez que há apenas um rendimento para a manutenção do agregado familiar.” No entanto, acrescenta, “tenho uma família que me apoiou desde início. Há um apoio e presença forte da família alargada, nomeadamente da avó e avô paterno, que ajuda muito. Como diz o provérbio: ‘É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança.’ Às vezes penso como conseguem viver as mulheres na mesma situação que não têm apoio financeiro da família. Há também alguns momentos de solidão e necessidade de partilhar os meus desafios com mulheres que vivem na mesma situação. Tenho o projeto de criar, um dia, um grupo que seja um espaço de encontro para mães que vivam na situação de monoparentalidade”. Quanto à sua filha: “Encara com toda a naturalidade a situação de família monoparental, uma vez que sempre viveu neste contexto desde que nasceu.”

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