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Falámos com o treinador de Madonna - estas são as 10 dicas que ele nos deu

Max, como é conhecido, dá também aulas aos filhos da diva pop. Os vídeos dos treinos são um sucesso no Instagram

Instagram @Madonna

Para Francisco Maximiano, como para tantos outros, foram os acasos a guiar-lhe a vida. Tinha 17 anos quando o pai faleceu, e uma necessidade de “desabafar” que o sufocava. Não é literal o desabafo de que aqui se fala e Max, como é conhecido, só o percebeu após um mês e meio sem sair de casa. Desafiado por um amigo, foi experimentar o kickboxing que o levaria a uma carreira de sucesso, recheada de títulos e culminada com a passagem a treinador.

Entre um momento e outro, o kickboxing mudou muito. Deixou de ser um desporto de nicho, normalmente masculino, agressivo e até sujo, para se tornar popular, das revistas de especialidade aos ginásios, e praticado por estrelas de televisão, das emergentes às que há muito ocupam o topo do mundo. Uma delas é Madonna.

Max treina não só a diva da pop, como os filhos, e não são raros os vídeos de Instagram em que aparece a puxar pelo físico dos mais novos. Menos raro ainda é que rapidamente atinjam milhares de visualizações.

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O Vida Extra conversou com o treinador para saber o que é preciso, afinal, para começar a ser assumidamente um atleta. De fim de semana, mas ainda assim atleta.

1. Kickboxing

Francisco Maximiano ri-se, enquanto garante que “não é por estar na modalidade” que o diz, mas “para os problemas do dia a dia o kickboxing é o melhor”, garante. E porquê? “Porque tem tudo, tem alongamentos, tem e precisa de uma boa preparação... é o que mais faz 'desabafar'”, explica Max, para quem o saco é mesmo companheiro. Um “treininho bom”, como lhe chama, é isso mesmo, “bater no saco, fazer uma sombra [simular um combate] e 'desabafar' ali todo o stress.” O treinador concorda com a ideia de que o desporto não é só um complemento físico, mas também, às vezes sobretudo, psicológico.

2. Em qualquer altura, qualquer lugar

Os pretextos para não fazer exercício são muitos e criativos, por isso Maximiano aconselha a que se comece pelo que é simples e pode ser feito em quaisquer circunstâncias. A saber: “vinte a trinta minutos de corrida leve, seguida de abdominais e flexões; depois, gradualmente, ir aumentando os tempos e os números, até poder passar para outros exercícios.” Com um plano simples, vai ser preciso ainda mais criatividade para encontrar desculpas.

3. Ar livre

“Agora vai começar o mau tempo, mas uma corridinha em Monsanto, ali com aquela brisa, seguida de uma sombrinha, com os movimentos todos de combate, é perfeito”, conta Max. Os programas, aulas e descontos de ginásios estão aí para serem aproveitados, mas o ar livre ainda oferece vantagens que mais nada consegue, nem que seja “variar um bocadinho a paisagem, até para o treino não se tornar monótono.”

4. Regularidade

Além dos atletas, ainda são poucos os que conseguem ver o exercício físico da mesma forma que veem o trabalho, e Maximiano acredita que esse deveria ser o primeiro passo. “Temos que arranjar ali uma horita no nosso dia, que não é nada”, avisa, e fazer disso uma rotina. Para quem não tem qualquer pretensão atlética, o treinador aconselha duas a três vezes por semana, cerca de metade dos dias. O resto é o que nos leva à dica número 5.

5. Descanso

Outro dos momentos subvalorizados num treino. O bom atleta é o que começa antes e acaba depois daquilo a que normalmente chamamos exercício físico, do qual o descanso faz parte. É preciso “saber parar” quando o corpo pede, mas acima de tudo não chegar ao momento em que ele precisa de pedir.

6. Aquecimento

As lesões, sempre as lesões. Para muitos, o que conta é o 'miolo' do treino, o momento em que sentem que estão verdadeiramente a treinar, a queimar calorias ou a fortalecer a musculatura, conforme os objetivos. É muitas vezes desproporcional a importância que se dá ao aquecimento. “Eu não posso chegar a um saco e começar a bater sem aquecer, porque o mais certo é arranjar logo uma distensão muscular, uma rotura na virilha, etc”.

7. Informação, informação

Apesar da proliferação de notícias sobre o mundo fitness, há erros e mitos que persistem. Um deles diz que é preciso que as pessoas se submetam a esforços sempre maiores, por vezes além do limite. Max dá um exemplo: “uma vez tive um atleta que ia correr para Monsanto com uma mochila cheia de pedras”. Convencido de que o peso aumentaria as capacidades em corrida, o indivíduo não percebia que estava a cometer “dos piores erros que existem, para os joelhos, para as costas, para tudo”. E como ele, garante o treinador, há muitos, com exemplos mais ou menos flagrantes.

8. Companhia

A dica número 8 não está muito longe da sétima, e lembra que não há desporto sem técnica e não há treino sem conhecimento. No kickboxing, por exemplo, é “preciso saber bater no saco, porque se não, em vez de melhorar, só estamos a piorar, a criar lesões”. É por isso que, especialmente atletas de fim de semana, precisam de um treinador que os guie.

9. Comida

Max sabe que a tentação é grande, que a comida aconchega, e até embala, e que um estômago a ir vazio para a cama parece um desconsolo. Quando combatia, um dos grandes adversários de Max era a balança e daí vieram hábitos que nunca mais abandonou, como não ingerir nada nas quatro horas antes de ir dormir. “Primeiro pareciam facas no estômago, depois habituei-me”. Mesmo que não queira ir tão longe, o treinador aconselha a evitar a ceia ou o snack pré-sono. “Depois de manhã, com muita fome, toma-se um bom pequeno-almoço e estamos prontos para treinar”, explica. Acima de tudo, “nunca acordo inchado”.

10. Começo

É o princípio e o fim de tudo. “Experimentem e tenham um bocadinho de força de vontade. A primeira semana vai custar, a segunda também, mas depois vão sentir-se tão bem, tão bem, que vão dizer que afinal o Max tinha razão”, garante o treinador, que é incapaz de deixar o treino, mesmo quando está lesionado, como é o meu caso. “Tenho de fazer isto para me sentir bem e já disse ao médico: quando rebentar, rebentou.”

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