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Vida Extra

Sobrevivente da bomba atómica de Nagasaki partilha o seu testemunho no Porto

Seiichiro Mise tinha dez anos quando uma bomba de plutónio devastou a cidade de Nagasaki. Agora, aos 83, o japonês vem à Invicta partilhar as memórias de vida e as cicatrizes do dia mais mortal

Handout / GETTY

Chama-se Seiichiro Mise, tem 83 anos e o facto de estar vivo quase pode ser considerado um milagre. Ele estava lá, em Nagasaki, na cidade onde se encontravam naquele dia, 9 de agosto de 1945, mais de 250 mil pessoas. O relógio marcava as 11h, quando o “Bockscar” - um bombardeiro norte-americano B-29 - largou a “Fat Man”, com um núcleo de 6,4 quilos de plutónio, sobre um vale industrial.

A devastação precipitava-se, novamente, três dias depois, em território nipónico, com a segunda e última bomba atómica utilizada na história. O engenho nuclear dizimou imediatamente entre 25 a 75 mil pessoas (os números são imprecisos até hoje), o que levaria à capitulação do Império do Japão, colocando um negro ponto final à Segunda Guerra Mundial.

As duas bombas nucleares lançadas sobre o Japão, a "Little Boy", em Hiroshima, e a "Fat Man", em Nagasaki

As duas bombas nucleares lançadas sobre o Japão, a "Little Boy", em Hiroshima, e a "Fat Man", em Nagasaki

GETTY

Seiichiro Mise é um dos hibakushas - nome japonês dado aos sobreviventes dos dois ataques nucleares - e vem até ao Porto. esta quinta-feira, partilhar o seu testemunho, na primeira pessoa, de um episódio que a humanidade não pode esquecer.

A Reitoria da Universidade do Porto, na Praça Gomes Teixeira, abre as portas, às 17h30, para receber este japonês que viu de perto a sombria luz da destruição, quando tinha apenas 10 anos de idade, entretido a brincar em casa, situada a 3,6 quilómetros do hipocentro, onde um enorme cogumelo de fumo se ergueu no horizonte.

Galerie Bilderwelt / GETTY

As cicatrizes ficam, mas depois do trauma pode renascer a esperança. Atualmente, Seiichiro viaja por todo o mundo, partilhando as memórias do mais nefasto dia da sua existência, de forma a consciencializar a sociedade para a importância da paz.

A cerimónia, inserida na celebração dos 40 anos do acordo de geminação das cidade do Porto e de Nagasaki, é composta por uma palestra em japonês, com tradução simultânea e com espaço, no final, para perguntas por parte do público.