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Vida Extra

Até ao final do ano há sexo no Museu da Farmácia

O ponto de partida é sempre uma peça do museu. Há cintos de castidade, vibradores medicinais e até preservativos feitos de pele de intestino de ovelha

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Durante os próximos meses, o Museu da Farmácia é ponto de partida e de chegada para falar sobre sexo em Lisboa. Uma vez por mês, um objeto exposto no museu serve de mote para uma conversa alargada sobre o tema a que remete. As peças são variadas, e vão de um cinto de castidade para proteger as mulheres de violações a um vibrador medicinal para o tratamento da histeria que era apontada a mulheres com energia sexual reprimida.

Objetos que são também um retrato de outros tempos - há um preservativo raro para a prevenção da sífilis, feito de pele de intestino de ovelha, dos séculos XVII e XVIII - e que vão permitir debates sobre “violência, gravidez, VIH/sida, somatização, género, religião, mitos, educação, sedução e magia, sexualidade e a Revolução dos Cravos, e hábitos sexuais na viragem do século XIX”, escreve o museu responsável por este Ciclo de Conversas sobre Sexualidade.

O arranque deu-se em setembro, aproveitando as celebrações do Dia (e do mês) Mundial da Saúde Sexual, e levou à Farmácia o tema da sexualidade das pessoas com diversidade funcional. Os convidados foram Fátima Paulo, da associação ‘Sim, nós Fodemos’, Diana Santos, psicóloga, e Carmo Gê Pereira, educadora sexual para adultos.

O próximo é no dia 31 de outubro, sobre o tema Sexualidade e Violência, debatido a partir da “Máscara da Vergonha”, um objeto concebido para castigar e humilhar publicamente as mulheres na Europa, durante a Idade Média e o Renascimento. A peça está exposta no Museu e olhar para ela basta para que se perceba a violência da prática.

Luis Silva Campos - Museu da Farmácia

A organização dos ciclos de conversa está a cargo de João Neto, diretor do Museu da Farmácia, e Isabel Pires, responsável dos Serviços Educativos da ANF.