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O medo do medo. Aqui a ansiedade explicada a totós, pelo psiquiatra Diogo Telles Correia

Em Portugal, a ansiedade afeta 16,5% das pessoas. O psiquiatra Diogo Telles Correia escreveu um livro para ajudar a combatê-la

Expresso

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É um dos grandes males do século XXI, sobretudo na civilização ocidental. Em “A Ansiedade nos Nossos Dias”, o médico psiquiatra e psicoterapeuta Diogo Telles Correia desmistifica e explica as várias manifestações da ansiedade, discute os tratamentos e as abordagens terapêuticas mais eficazes e dá-nos pistas sobre como lidar com ela.

Eis um guia rápido para entender melhor o problema.

O que é a ansiedade?

O termo tem origem no latim anxius, “preocupado”, “perturbado, e caracteriza-se por um fenómeno que integra tanto reações psicológicas –sensação de medo e preocupação – como físicas – tensão muscular, suores, tremores, alterações gastrointestinais, entre outras.

Até certo ponto, é considerada uma reação natural do organismo para se adaptar a reagir a situações de medo ou expectativa. Porém, escreve Telles Correia, passa a corresponder a uma perturbação mental quando atinge um valor extremo, provoca mal-estar intolerável e interfere gravemente no funcionamento social, profissional ou ocupacional das pessoas.

O que a provoca?

Tal como com todas as perturbações psiquiátricas, não existe uma causa única, mas sim uma interação entre aquilo que é biológico (como a genética) e o que nos vai sucedendo na nossa vida, a importância que atribuímos a cada evento que ocorre no dia-a-dia.

Como se trata?

As duas grandes armas terapêuticas são a medicação (antidepressivos e tranquilizantes) e a psicoterapia, pelo que é importante consultar um médico especialista para perceber qual é o tratamento mais adequado.

Outras estratégias úteis passam por exercícios de relaxamento e pela atividade física. Esta última deve ser recomendada pelos clínicos em praticamente todos os casos e pode ir desde uma mera caminhada à corrida e sessões no ginásio. Em relação aos exercícios de relaxamento, há vários que podem ser preconizados pelos psicoterapeutas e que envolvem movimentos sucessivos de forte contração muscular e relaxamento subsequente.

Mesmo no caso dos exercícios de meditação, recomenda Telles Correia, é importante que sejam introduzidos por técnicos que tenham a noção do que é uma perturbação de ansiedade e dos riscos associados a fazer alguns desses exercícios. Por exemplo, no caso da meditação e da focagem no corpo, pode ser catastrófico tentar pressionar (sobretudo em plena crise) a pessoa a focar-se no corpo; deve promover-se exatamente o oposto, o focar-se fora do corpo (usando, por exemplo, a técnica da distração).

Bertrand Editora

(Adaptado do livro “A Ansiedade nos Nossos Dias” (Bertrand Editora), de Diogo Telles Correia)

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