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Forte da Barra de Aveiro prepara-se para ser um hotel

A fortaleza em Ílhavo perdeu a função de orientar a entrada de barcos desde que a construção do Farol da Barra. Está agora em concurso para privados poderem criar ali um hotel até 50 quartos

D.R.

Foi lançado pelo Governo o concurso público para grupos privados poderem concessionar o Forte da Barra de Aveiro, em Ílhavo, para fins turísticos. O prazo para apresentação de propostas do lado dos interessados é de 90 dias.

Esta concessão surge no âmbito do Revive, programa lançado pelo Governo com o objetivo de dar nova vida a monumentos, conventos ou outro tipo de património ao abandono, através da concessão a privados e para a sua utilização como unidade hoteleira ou outra de cariz turístico ou cultural.

Com a concessão a privados, o programa Revive assume querer "valorizar e recuperar o património sem uso, reforçar a atratividade dos destinos regionais e o desenvolvimento de várias regiões do país". Com este programa, os privados assumem os custos da reabilitação, mantendo-se o património na posse do Estado.

Uma das fortalezas joaninas do séc. XVII para proteger o reino

O Forte da Barra de Aveiro é uma fortificação do tipo abaluartado, edificada no século XVII, no período pós-restauração. Fez parte de um conjunto de fortalezas joaninas, construídas no mesmo período, para reforçar as fronteiras do reino.

Em meados do século XIX, a fortaleza perdeu importância defensiva e estratégica, sendo desativada das suas funções militares. Ainda serviu de local de orientação para entrada de barcos na Barra de Aveiro, mas perdeu essa função com a construção do farol da Barra.

Classificado como Imóvel de Interesse Público, o Forte da Barra de Aveiro tem uma localização privilegiada, sobre a foz do rio Vouga, em pleno Porto de Aveiro, na ilha da Mó de Baixo, e uma área de 3.709 metros quadrados.

Concessão por 50 anos

O Forte será concessionado a privados por um período de 50 anos, para exploração com fins turísticos (estabelecimento hoteleiro, como cerca de 50 quartos, alojamento local ou outro projeto de vocação turística), com a renda mínima anual de 6.444 euros.

O Forte da Barra de Aveiro é o 21º imóvel com concurso lançado no âmbito do programa Revive. Atualmente, está aberto o concurso neste programa para a concessão do Palacete dos Condes Dias Garcia, em São João da Madeira, e o concurso da Quinta do Paço de Valverde, em Évora.

Numa primeira fase, o Revive contou 33 imóveis inscritos na programa, que mobilizou um trabalho conjunto dos ministérios da Economia, Cultura e Finanças, em colaboração das autarquias locais e coordenação do Turismo de Portugal.

Em 2019 foi lançada a segunda edição do Revive, com a integração de 16 novos imóveis. O programa integra atualmente um total de 49 imóveis, dos quais 21 se localizam em territórios do interior.