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Berlim celebra os 30 anos da Queda do Muro com uma semana de festas

A 9 de novembro, a Alemanha prepara-se para comemorar o processo de reunificação, que foi um dos mais fortes impulsionadores do crescimento do turismo da sua história

Justin Leighton-Alamy

A cidade de Berlim vai comemorar os 30 anos da queda do muro, com um programa de uma semana de festas, de 4 a 10 de novembro, onde também residentes ou visitantes serão convidados a lembrar, debater e celebrar este evento que levou à reunificação das duas Alemanhas.

O ponto alto das comemorações será um grande espetáculo no muro de Berlim a 9 de novembro, data em que começou a ser derrubado. Vários locais associados à 'Revolução Pacífica' vão ser iluminados com intervenções multimédia, como é o caso da Alexanderplatz, a Scholossplatz ou a Kurfürstendamm, e as Portas de Brandenburgo terão "uma instalação suspensa com 30 mil mensagens escritas por gente de todo o mundo, uma forma artística de recordar os cartazes empunhados em 1989", conforme destaca o Turismo da Alemanha.

Jan Windszus

Este ano a cidade apresenta também novas atrações, em particular um museu dedicado ao fututo, o Futurium, que inaugurou em setembro junto à estação central de Berlim . Neste museu os visitantes podem testar protótipos ou criar os seus próprios projetos em impressoras 3D, havendo ainda lugar a debates, concertos ou intervenções artísticas.

Também os 100 anos da escola de Bauhaus, que revolucionou a arquitetura e a arte do séc. XX, estão a ser celebrados com uma grande exposição - a mostra 'Original Bauhaus - The centenary exhibition' - que inaugurou a 6 de setembro na Berlinische Galerie. A exposição integra mais de 1000 originais, provenientes do Bauhaus-Archiv de Berlim ou emprestados de coleções internacionais, e vai estar patente até 27 de janeiro de 2020.

No ano em que a cidade celebra os 30 anos da queda do muro, outra novidade em Berlim é a Galeria James Simon, que abriu este verão "no único edifício construído em quase um século na célebre Ilha dos Museus, que é património mundial", segundo frisa o Turismo da Alemanha. Já inaugurou a primeira exposição, uma mostra comemorativa do segundo centenário da Gipsformerei, instituição dos museus de Berlim que produz réplicas de obras de todas as épocas, desde a Vénus de Willendorf com 25 mil anos ao busto de Nefertiti ou o Pensador de Auguste Rodin. Esta exposição decorre até 1 de março de 2020.

philip koschel

Outra atração nova em Berlim, inaugurada no final de agosto,é o Time Ride,que permite aos visitantes uma viagem virtual aos anos 80, permitindo perceber como era o dia-a-dia em Berlim Leste e em Berlim Ocidenta. O Time Ride fica junto a Checkpoint Charlie, o posto de controlo mais famoso da cidade e que serviu de cenário a filmes de James Bond, como 'Octopussy', e que é um dos pontos mais fotografados pelos visitantes.

Este ano, o Turismo de Berlim considera "de visita obrigatória" o Memorial e o Centro de Documentação na Bernauer Strasse, pela exposição permanente 1961-1989, The Berlin Wall. E aconselha a ver a vizinha Capela da Reconciliação, além da "estação fantasma" de Nordbahnhof, onde há uma mostra sobre estas estações que eram "fortemente guardadas por soldados da ex-RDA para garantir que os comboios que passavam vindos do ocidente não paravam, e impedir tentativas de fuga".

Numa altura "icónica" para a Alemanha, também o museu do Leste em Berlim permite conhecer mais sobre o que era a vida na República Democrática Alemã, incluíndo um apartamento típico com mobiliário e objetos da época, além de uma cela de prisão. As propostas do DDR Museum passam ainda por conduzir, num simulador 3D, um Trabant, mas conhecido localmente como 'Trabi', o automóvel produzido na antiga Alemanha de Leste e que posteriormente se tornou num carro de culto.

Outras atrações novas em Berlim incluem um "street art hotel nas alturas", o The niu Hide, que foi inaugurado em maio deste ano no topo de um centro comercial da Frankfurter Allee. O mote da decoração deste hotel é a "Eastalgia", ou a nostalgia do Leste, marcada por mobiliário vintage, ou o papel de parede habitualmente usado na República Democrática Alemã, tendo ainda obras de 'street art'.

Outro hotel novo na cidade é o Amo by Amano, que tem a particularidade de ficar parcialmente debaixo do solo, inclui um bar subterrâneo, e fica na rua mais central de Berlim, a Friedrichstrasse.

Harf Zimmermann

Segundo o Turismo da Alemanha, o número de dormidas de visitantes internacionais no país mais duplicou entre 1993 e 2018, passando de 34,7 milhões para 87,7 milhões. O organismo oficial frisa que foi "uma história de sucesso", em que "o crescimento do turismo na Alemanha desde a reunificação superou o crescimento do turismo tanto a nível europeu como global", e que "a Alemanha reunificada está extremamente bem posicionada no mercado internacional de turismo".

As regiões da antiga Alemanha Oriental "beneficiaram enormemente do aumento do turismo na Alemanha desde o início dos anos 90" e "em 1993 os novos estados federados da Alemanha, incluíndo Berlim, representavam pouco menos de 10% do turismo na Alemanha, e em 2018 esse número mais do que duplicou para 23%", garante ainda a entidade de turismo.

"Nos 30 anos que se seguiram à queda do muro, o turismo tornou-se um fator económico cada vez mais importante. Hoje, contribui com mais de 105 mil milhões de euros para a economia da Alemanha - cerca de 4% do valor acrescentado bruto (VAB) - e aproximadamente 3 milhões de empregos", enfatiza ainda o Turismo da Alemanha.