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Oito locais em Portugal e no mundo no topo da lista dos mais visitados

Com a catedral de Notre-Dame — o monumento mais visitado da Europa — a reerguer-se, o Expresso selecionou oito dos locais em Portugal e no Mundo que, ano após ano, estão no topo dos mais visitados

O Palácio de Versalhes, Paris, foi o segundo local mais visitado da Europa, o ano passado, com 8,1 milhões de pessoas, logo atrás da Catedral de Notre-Dame

DEAGOSTINI / GETTY IMAGES

Oito. Há 48 anos, a 26 de junho de 1971, Philippe Petit caminhou oito vezes entre a torre norte e a torre sul da Catedral de Notre-Dame, fazendo-o sobre uma corda e com uma vara nas mãos, objetos que se tornaram invisíveis para as dezenas de pessoas na rua que aplaudiram o jovem francês. Estava a 68 metros do chão. Nunca antes tinha feito algo semelhante, e nem o facto de logo a seguir ter sido preso o fez parar em Notre-Dame. Três anos depois, atravessaria as Torres Gémeas, em Nova Iorque.

O incêndio de 15 de abril destruiu parte da Catedral, mas as duas torres (também) mantiveram o equilíbrio e permaneceram em pé. Segue-se agora um período de reconstrução de um símbolo de França, o local que mais visitantes atrai em toda a Europa. Os primeiros sinais são encorajadores. Emmanuel Macron, o Presidente francês, declarou que todos juntos reconstruirão a catedral, ainda mais bela e no prazo de cinco anos. Mas o mundo não se esgota, e seguirá o exemplo de Philippe Petit, que partiu para outras paragens depois de Notre-Dame, levando consigo a liberdade que Paris lhe deu. Estes são oito lugares onde poderia ter ido a seguir, e onde milhões de pessoas (também) vão todos os anos.

1. PALÁCIO DE VERSALHES, PARIS

A paragem seguinte de Petit poderia muito bem ter sido uma cidade artificial a 45 km de distância de Notre-Dame. Versalhes era, no século XVII, uma pequena aldeia florestal nos subúrbios de Paris aonde o rei Luís XIII gostava de ir caçar. Quando o seu filho — Luís XIV — assumiu o trono, quis uma nova casa, e o pequeno retiro converteu-se num monumental palácio e o centro político da época. A cidade foi construída à sua volta. O Palácio de Versalhes e seus jardins foram-se alargando, mesmo enquanto temiam a fúria popular da Revolução Francesa, acomodavam Napoleão e o seu império, ou juntavam “toda a glória de França" num único museu. As reconstruções deveram-se não só devido à passagem do tempo mas também a episódios como um atentado bombista (em 1978), cujas únicas vítimas mortais foram os milhões de euros em património perdido. E, em 1919, foi lá que terminou a I Guerra Mundial. Os preços de entrada no Palácio variam entre os €8 e os €30, mas os jardins são de graça. Foi o segundo local mais visitado da Europa, o ano passado, com 8,1 milhões de pessoas.

2. COLISEU DE ROMA

A política era de pão e circo. Hoje, a decisão do imperador Vespasiano seria provavelmente tida como populista, mas no ano 72, em que conceitos da ciência política atual rareavam, era uma decisão soberana. O imperador quis seduzir os cidadãos com o espetacular: mandou demolir um palácio e construir uma arena no seu lugar. O Coliseu de Roma tornou-se, depois de apenas oito anos de construção, um símbolo imponente de um entretenimento tão popular quanto sangrento — as lutas entre gladiadores — e do Império. Vespasiano morreu pouco tempo antes de a obra ser concluída, e Tito, que lhe sucedeu, pôde inaugurar o espaço em grande. Caberiam nas bancadas 50 a 80 mil pessoas, e ali se fizeram todo o tipo de espetáculos, incluindo de naumaquia, em que a arena se enchia de água para dar lugar a batalhas navais. Na altura do fim do império romano, o coliseu havia passado por terramotos e roubos, incluindo a perda de parte do terceiro anel, até hoje por recompor. Entrar no coliseu tem o preço de €12 e, em 2018, 7,4 milhões de pessoas quiseram ver de perto o chão onde homens morreram e até mares foram inventados. O circo sangrento já lá não está. Mas o colosso ficou.

Todos os anos milhões de pessoas visitam a Grande Muralha da China

Todos os anos milhões de pessoas visitam a Grande Muralha da China

Getty Images

3. MURALHA DA CHINA

A oriente do coliseu, a muralha: 20 mil quilómetros de comprimento e seis metros (em média) de altura, pedra sob pedra, uma de cada vez. As construções mais antigas da Grande Muralha da China começaram a surgir no século VII a.C., apesar de pouco desse trabalho ter resistido ao tempo e se manter de pé atualmente. O século XIV fê-la crescer mais do que em qualquer outro período, apesar da muralha parecer alargar-se sozinha no tempo e no espaço: em 2015 foram encontradas construções com mais de 10 km até então desconhecidas, que se acredita serem parte dela. Uma fortificação indomável, paralela à História chinesa e impossível de conhecer por inteiro. Milhões de pessoas visitam-na todos os anos e, de todas as secções, a de Badaling é a mais popular. Pode ser atravessada numa caminhada de três a quatro horas, com os bilhetes a começar nos €6. Ficam a faltar todas as outras secções, mas as várias partes não se separam, lembrando que viajar é descobrir, redescobrir, descobrir de novo, mas sabendo desde logo que conhecer por inteiro é uma tarefa impossível. Mesmo que novas construções não sejam encontradas no futuro, as várias muralhas são apenas uma, indivisível, que parece continuar a crescer.

4. TAJ MAHAL, ÍNDIA

Na Índia, pode-se visitar amor feito mármore. Em branco, o Taj Mahal, em Agra, foi erguido como uma declaração de amor de Shah Jahan, imperador mughal no século XVII, à sua… 14ª mulher — Mahal — que morreu a dar à luz. É, provavelmente, o túmulo mais delicado — e dedicado — do mundo. Está no centro de um complexo com 17 hectares, que inclui ainda uma mesquita e um jardim. O tempo da sua construção (11 anos) faz levantar as mais variadas lendas e histórias — algumas dignas dos melhores filmes de terror — mas nenhumas ainda provadas. Certo é que o imperador apaixonado foi sepultado junto da sua mulher preferida, a um nível inferior ao do solo. Certamente ficaria destroçado se visse a forma como os soldados do império britânico desfiguraram partes do monumento durante a revolta indiana em 1857, roubando várias das pedras — preciosas e semipreciosas — das paredes interiores; felizmente, acabaram por se redimir e reparar os estragos. Para ver de perto a delicadeza de uma homenagem como a do imperador, um turista paga cerca de €14 pela visita geral, mais €2,5 para ver a tumba principal. Ou melhor, amor feito mármore, inspiração para 7,5 milhões de pessoas no ano passado.

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