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É instagramável? Metade dos portugueses já escolhe o destino de férias a pensar nas fotografias que vai tirar e partilhar

Um em cada dois portugueses tem em conta a chamada ‘instaworthiness’ dos locais que pretende visitar

pan xiaozhen

Se está a planear ir de férias com outra pessoa, fica o aviso: poderá estar a ser traído pelo instagram. Atenção, a acusação não é nossa, mas sim da agência de viagens edreams: metade dos portugueses fazem férias para a fotografia. Sim, porque as redes sociais não tiram férias: é crucial que o destino escolhido produza boas fotos. Se a viagem não puder ser devidamente documentada no Instagram, nada feito.

O fenómeno recebeu o nome de "Instagramável", e também é tido em conta por espanhóis e italianos, que têm em mente o potencial das paisagens quando estão a pensar onde vão descansar (e fotografar). Por outro lado, os alemães e britânicos acreditam que não há mal nenhum numa foto menos espectacular, com uma paisagem de fundo mais “apagada”:

Do lado dos portugueses, é uma preocupação que faz sentido: é um direito partilhar o nosso descanso com o mundo, amigos reais e virtuais incluídos. Mesmo que eles não gostem, o que é muitas vezes o caso: 32% dos inquiridos pela edreams foram cruéis ao ponto de afirmarem que os viajantes fotogénicos são apenas exibicionistas; e 25% diz conseguir ver para além dos sorrisos esplendorosos para concluir que essas pessoas “não estão a aproveitar as férias”. 23% acreditam no que vêem do outro lado do ecrã, e acham que umas férias proveitosas são sinónimo de muitas fotos publicadas.

Tord Sollie

Muitas fotos publicadas, sim, mas todas com qualidade. Quando as paisagens reais não estão à altura das paisagens sonhadas, 4 em cada 10 portugueses admite retocar as fotos até a perfeição ser atingida, mas a maioria (60%) contenta-se com o que está na fotografia, e não faz qualquer ajuste.

Apesar de tudo, as pessoas que responderam ao inquérito dizem que férias sem redes sociais não seria o fim do mundo. E neste particular, os portugueses são taxativos: pior do que perder o Instagram seria perder a praia (29%), com os mais jovens a serem os que - naturalmente - sofreriam mais com a abstinência da internet.

Já sabe: se o destino que tem em mente não seduz o telemóvel ou a câmara fotográfica, é estatisticamente provável que também não seduza a pessoa com quem vai de férias. Nesse caso, o descanso poderá ser feito num lugar mais amigo do Instagram. Console-se: poderá não ter as suas férias de sonho, mas pelo menos terá boas fotografias.

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