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Saúde Emocional, para que te quero? Seis dicas fundamentais

Maria Palha, Psicologa, autora do Livro “Emocionar” e fundadora da associação Be Human, assina um artigo sobre a importância da saúde emocional

Maria Palha

Sempre desejei ter descoberto um mapa de bem estar Emocional, países para onde pudéssemos viajar se quiséssemos desenvolver determinada competência emocional. E por esta razão decidi que seria eu a escollher alguns países que nos inspirassem para desenvolver a nossa saúde emocional. E que paralelamente nos ajudassem a entender os benefícios de incluír o tema no dia a dia da família, tal como fazemos com a higiene oral.

Ter saúde emocional significa ter bem-estar para sentir que a vida vale a pena ser vivida, e isto implica saber quem sou (auto-conhecimento), para viver em sociedade e para responder às exigências do dia-a-dia com um sistema de valores e sentido de propósito. Muitos autores já falam da importancia de experiências de vida saudáveis para termos mais saúde emocional, algo diferente de saúde mental.

Significa, antes, ter mais experiências saudáveis que tragam mais saúde emocional, como, por exemplo, passar pela experiência de brincar com os pais lá em casa ou ser amado e cuidado nos primeiros anos de vida. Experiências que permitem criar identidade, uma noção de valor próprio e um sentimento de pertença, que vem de nos sentirmos importantes na comunidade. Por esta ordem de ideias, experiências de ligação, conexão de amor, capacidade de ter tempo de qualidade e cuidado com as crianças nos primeiros anos de vida são fundamentais para formar o futuro adulto. Com estes ingredientes é possivel que aprenda a interagir e comunicar com os outros, se sinta protegido e seguro no mundo e com quem o rodeia.

Agora imaginem como será uma criança que hoje tem 5 anos e em 2038 quase 20. Que jovem adulto será ele, que cresceu com um cuidador exposto a um nível de stress crónico devido ao seu trabalho e por isso se manifesta: Zangado, cansado, frustrado e sem energia, sem esperança ou sentido de propósito, e acima de tudo, com enorme vazio e frieza emocional?

Sim, é urgente olhar para as taxas de Burnout e stress crónico nas empresas. Cerca de 80% da população está exposta a stress crónico e pode desenvolver burnout. E se já somos o país com maior taxa de consumo de anti-depressimos da Europa, é urgente cortar com estes ciclos, apoiar as empresas a cuidarem de facto dos seus colaboradores como se fossem família, apoiar cada família a desenvolver sua saúde emocional.

Algumas dicas:

Fazem demonstrações de «amor» regulares: Parece óbvio, mas muitas das desilusões que sentimos têm, na sua origem, demonstrações de amor. Elogios, presentes, dão tempo de qualidade ou serviço.

Limites e Hierarquias: São grupos com limites e hierarquias bem definidos quais os comportamentos que são aceitáveis e inaceitáveis entre todos.

Praticar generosidade: É um grupo que contribuem para que as pessoas que os rodeiam se sintam melhor.

Ter expressão emocional: É um grupo com o hábito de se exprimir emocionalmente. Falam dos eventos da sua vida, do que pensaram e sentiram depois de cada acontecimento marcante.

Valorizar as diferenças e os diferentes contributos: A expressão e celebração da diferença e de diferentes contributos, sem alimentar competição. Afinal o que aprendeu com alguem diferente esta semana?

Praticar aceitação e humanidade: São famílias que aceitam o erro, pedem desculpa e reconhecem que todos erramos