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Problemas de visão aumentam insucesso escolar

Sociedade Portuguesa de Oftalmologia adverte que problemas de visão podem originar falta de interesse e dificuldades de aprendizagem por parte dos alunos

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O regresso às aulas está quase aí. Alunos e famílias preparam mais um ano letivo. Compram-se os manuais, a mochila nova para os cadernos por estrear, os estojos com as canetas e os lápis por usar. Tudo é importante para obter bons resultados, mas é preciso não passar a borracha sobre um fator que a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) aponta como potencial responsável de muitos casos de insucesso escolar. Veja bem o problema: uma em cada cinco crianças apresenta algum tipo de deficiência de função visual e os “erros refratários” — como miopia, hipermetropia, astigmatismo e estrabismo — “são as doenças que mais afetam” os mais novos.

“A falta de interesse e dificuldade de aprendizagem, por vezes incorretamente entendidas como incapacidade natural do aluno para aprender (preguiça ou pouca vontade de estudar), podem ter como fator desencadeante um problema de visão”, adverte a oftalmologista Sandra Barrão, da SPO. “A dificuldade em ver pode prejudicar o desenvolvimento, a adaptação e o relacionamento com os outros no ambiente escolar”, evidencia a especialista.

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Olhos vermelhos, lacrimejo, prurido ocular, piscar muito os olhos, franzir os olhos e a testa, sensibilidade à luz, dores de cabeça, visão desfocada, perda de interesse por atividades que exigem esforço visual (leitura ou desenho), posicionamento estranho a ler, fechar ou tapar os olhos com alguma regularidade ou confundir letras são alguns dos sinais de alerta.

Mas é preciso estar atento, porque “os sintomas de deficiência visual nem sempre estão presentes” e “há crianças que não apresentam qualquer tipo de sinal ou marca, principalmente aquelas em que um dos olhos vê mal, por pequenos estrabismos ou por anisometropia (diferença de graduação entre os dois olhos)”.

A lição passa, defende Sandra Barrão, por uma “deteção precoce” dessas situações”, uma vez que “o olho humano atinge o desenvolvimento funcional por volta dos 10 anos de idade”. A oftalmologista recomenda que as avaliações visuais devem começar a ser feitas a partir dos 3 ou 4 anos ou, “idealmente, deve ser feito o primeiro rastreio entre os 12 e os 18 meses”.

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Além dos rastreios, é necessário respeitar as condições para uma leitura mais adequada, valorizando a iluminação correta, a altura da cadeira e evitar ler de barriga para baixo.

A distância de leitura deve posicionar-se entre os 30 e os 40 cm. Quando o foco está no monitor do computador, “os olhos devem estar num nível superior (10º ou 20º) do centro do mesmo”, enquanto se estiver a ver televisão deve ficar a uma distância “cinco vezes superior à largura do ecrã”, aconselha Sandra Barrão.

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