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A cada dia que passa, morrem quase 20 mil pessoas devido ao tabaco. Nem mais uma passa

Esta sexta-feira assinala-se o Dia Mundial Sem Tabaco. O vício é responsável por mais de sete milhões de mortes anualmente em todo o mundo

Getty Images

A cada dia que passa, e pode muito bem ser hoje, são 19 200. A cada mês que passa, são 583 mil. A cada ano que passa, mais de sete milhões. São os números de óbitos provocados pelo tabagismo, de acordo com um relatório da Organização Mundial de Saúde. Nem mais uma passa. Esta sexta-feira assinala-se o Dia Mundial Sem Tabaco, um hábito responsável por roubar, em média, dez anos de vida aos consumidores.

O vício do cigarro é também culpado pela prevalência de 25% a 30% da totalidade da cancros, 80% das doenças pulmonares crónicas obstrutivas e 90% dos casos de cancro do pulmão. Das 4 mil substâncias contidas no fumo, aproximadamente 50 são potencialmente carcinógenas. A adição prolongada deixa marcas silenciosas no organismo, uma vez que as complicações de saúde podem surgir 20, 30 ou 40 anos anos após o início do consumo.

“O tabaco afeta praticamente todos os órgãos. Alguns, como os pulmões, são mais sensíveis, mas os tumores podem atingir a bexiga, o esófago, a boca… A extensão é imensa”. O aviso é dado pelo médico pneumologista Venceslau Hespanhol que, à conversa com o Vida Extra, pinta o cenário negro do tabagismo e do cancro do pulmão, dois atores quase sempre protagonistas de um desfecho trágico.

“A taxa de mortalidade no cancro do pulmão é muito elevada, porque é um tumor que, quando a pessoa sente algum alarme ou alguma dor, já está numa fase muito avançada”, adverte o especialista e professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Com mais de 30 anos de experiência de pneumologia de intervenção e de oncologia torácica, Venceslau Hespanhol continua a tratar “muito mais homens do que mulheres”, sobretudo pacientes com uma idade média de 66 anos.

Longe vai o tempo em que o tabaco foi apresentado ao mundo “associado a tratamentos para doenças respiratórias”, recorda o especialista. “O vício surge em força a partir da Segunda Guerra mundial, quando os militares banalizaram o ato de fumar. Surgiram também os anúncios que facilitaram o acesso e fez com que as pessoas achassem o hábito elegante, porque anteriormente apenas era acessível para as elites”, contextualiza Venceslau Hespanhol.

A publicidade desapareceu. As campanhas de sensibilização multiplicaram-se e as medidas restritivas ao consumo também. As fotografias chocantes das consequências passaram a estar à vista de todos, metidas no bolso, em cada maço, mas os fumadores fazem por não ver.

“As pessoas fazem por não ter conhecimento. Isto de assustar os consumidores só faz com que eles fujam. Quando pegam num maço de tabaco, nem querem olhar para as imagens”, conclui o pneumologista.

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